CARTA DE UMA COMISSIONADA DO BB AOS COMISSIONADOS

Caro colega comissionado,

Cada centavo, cada vírgula, cada gratificação, cada direito que você vê escrito no seu contra-cheque não foi lhe dado de graça. Muita gente passou aperto, ficou sem salário, foi esculhambado, apanhou na rua, brigou com a família, tudo pra você pudesse receber o que recebe hoje.

Não pense, caro colega, que o salário que recebes hoje é fruto unicamente de nossa dedicação dentro do banco ou de algum reconhecimento vindo de uma diretoria ‘boazinha’ ou sensível à sua causa, pois, como podes ver, até o que é seu por direito, querem lhe tomar. Até o seu sono, sua tranquilidade, sua dignidade, seu valor como pessoa (e não máquina). Quantas vezes você esteve sob grande pressão para cumprir metas? Você acha que o que recebemos em troca do nosso trabalho, nosso suor e, muitas vezes, nosso sacrifício, é condizente?

Quando falta 0,1 –  toda sua competência, todo o trabalho que você fez (e fez muito bem), as vezes que você quase se humilhou pra conseguir o resultado, são esquecidos, apagados, e fica apenas o mínimo que faltou.

Você acha que a situação está ruim, que o trabalho é extenuante e, às vezes, quase impossível?

Chegamos neste ponto e é verdade que existia uma miríade de situações que corromperam nosso bom senso e que nos levaram a aceitar as mudanças para pior, as perdas, as extrapolações.

Temos que lutar! E lutar não da boca pra fora. Temos que agir! Nada é de graça! Nada é de graça!

Aqueles que tem medo de fazer greve ignoram o que acontecem ao redor. Reclamam o ano todo das metas, da falta de funcionários mas, na hora da verdade, correm e esbravejam ser contra o que se luta. Brigam feio e com muita voracidade para diminuir a intensidade da força que fazemos na hora de pedir melhores condições de trabalho. Em compensação, na hora de receber os resultados, aumento dos salários, PLR, a proteção dos ciclos de avaliação entram na fila como se tivessem lutado por isso.

Conseguem encontrar as mais diversas desculpas para os outros (e enganar a si próprio) afirmando “sou comissionado. Quem vai levar a minha carteira? Vou perder o meu cargo, vou ficar marcado, não vou conseguir aquela promoção, não vou conseguir me transferir. Na PF/PJ só tem eu”.

Mas, responda a si mesmo, com toda honestidade: Você está satisfeito? Você soube de alguém que perdeu a função por ter aderido à greve?

Gente, o banco tem que sentir a falta que fazemos, perceber que não há trabalho inteligente sem pessoas, que nós somos parte do processo e não apenas uma despesa.

Aí você pode dizer “Tudo bem, mas vou sair sozinho, sem os outros comissionados? Os comissionados de tal agência não saíram”.

Ora, é muito provável que não tenham saído porque souberam que VOCÊ também NÃO saiu! Talvez seja a hora de conversarem bem!

Por que, em vez de perguntar quem não saiu – e se agarrar neles – você não pergunta quem saiu? Você vai encontrar gerentes de contas, gerentes de serviços e assistentes “dando a cara à tapa” por nós.  Enquanto estão aí dentro, estão dando força para o Banco do Brasil nos falar ‘NÃO’ e, consequentemente, isso acaba empurrando o rosto dos que estão lá fora um pouco mais em direção a este tapa.

Imagine se toda vez um for ficar esperando pelo outro. Assim ninguém sai.

Lute! Lute pelo o que é seu por direito.

Se alguma vez pensou que as grandes decisões nunca estiveram ao seu alcance, eis que a oportunidade bate à sua porta.

Chegou a hora de se fazer presente. Mostrar quem você realmente é. Mas se te falta coragem, se te falta senso de coletivo, não se preocupe. Lutarei por você, como, no passado, outros lutaram por mim.

Ass. Comissionada do Banco do Brasil/RJ

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