Chupeta Day

Waldir Maranhão desiste de suspender impeachment e completa vexame do governo no Chupeta Day

Presidente interino da Câmara revoga sua própria decisão com medo de ser expulso do PP

Por: Felipe Moura Brasil
10/05/2016 às 2:25

Waldir Cardozo Dilma

O Chupeta Day de segunda-feira terminou ainda mais cômico.

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Waldir Maranhão (PP-MA) revogou a decisão estapafúrdia que ele mesmo havia proferido para anular o processo de impeachment de Dilma Rousseff.

Depois que o PP convocou reunião de emergência da Executiva para discutir às 10 horas de terça-feira a expulsão do deputado dos quadros do partido, e PSD e DEM ingressaram contra ele no Conselho de Ética da Casa por quebra de decoro parlamentar, o presidente interino da Câmara ficou apavorado com o risco de perder seu mandato e assinou a breve nota de cinco linhas reproduzida abaixo:

Maranhao revoga

Integrantes do governo foram à casa de Maranhão para tentar demovê-lo da ideia, mas não adiantou.

Ele encaminhou ofício a Renan Calheiros para informar ao presidente do Senado sobre a revogação:

Maranhao comunica Renan

Renan havia decidido dar seguimento ao impeachment, recusando-se a atender um telefonema de Dilma e ignorando a primeira decisão de Maranhão que classificou como “brincadeira com a democracia”.

Renan tinha razão. No fim da noite, o mesmo Maranhão que falara à tarde em “salvar a democracia” tentou salvar a própria pele, alegando a parlamentares que só topou participar da manobra do governo porque Cardozo lhe garantiu que Renan a bancaria.

Cardozo, obviamente, já saiu negando ter prometido qualquer coisa ao presidente interino da Câmara, mas sua tentativa de desmenti-lo só faz reforçar a tese de que tentou engambelar Maranhão, cuja inteligência política só encontra similaridade em Dilma:

“Eu e [Flávio] Dino apenas dissemos a ele que dificilmente o Senado teria como reverter a decisão da Câmara. Não houve promessa política. Houve somente uma análise de que o Senado não poderia tocar o impeachment diante da decisão”, disse o advogado-geral da União.

Duvido que Cardozo e Dino, na ânsia de persuadir o deputado do PP a fazer o que queria o governo, tenham deixado clara no encontro de domingo à noite com Maranhão essa distinção entre uma suposta análise (que se revelou errada) e uma promessa política.

Convinha-lhes, decerto, deixar o deputado entender a análise como promessa, assim como lhes convém agora rifá-lo sem piedade.

O Chupeta Day não conseguiu protelar o afastamento de Dilma marcado para quarta-feira, nem dar margem a Cardozo para recorrer mais uma vez ao STF, mas ao menos demonstrou em definitivo duas coisas óbvias:

Maranhão não tem condições de presidir a Câmara; e o PT não tem condições de presidir o Brasil.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil

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