Força de greves pode diminuir com evolução de canais de serviços on-line

15/10/2015 – 05h00

O impacto das novas plataformas deve ser maior no médio e longo prazo, principalmente com a popularização dos instrumentos de operações de empréstimos e financiamentos pela internet

Os bancários pedem reajuste salarial de 16%, incluindo reposição da inflação mais 5,7% de aumento realico-zoom.png
Os bancários pedem reajuste salarial de 16%, incluindo reposição da inflação mais 5,7% de aumento real
Foto: Fotos Públicas

São Pedro – A força das greves dos sindicatos dos bancários deve diminuir à medida que os canais alternativos de intermediação financeira avançam, mesmo que, atualmente, eles ainda não tenham tanto impacto na solidez das paralisações.

O uso das agências tradicionais para serviços como empréstimos e pagamento de contas vem reduzindo desde, pelo menos, 2008, ao passo que o uso da Internet, celulares e até mesmo os correspondentes bancários (principalmente, as lotéricas e o Banco Postal, dos Correios) segue no sentido oposto.

Dados do Banco Central (BC) mostram que enquanto as transações feitas nas de agência caíram 18,5% de 2008 até 2014, as operações via Internet aumentaram 111,7% e aquelas feitas com os correspondentes avançaram 116,4% no período.

Para Marcelo Ciampolini, ceo da Lendico, plataforma de empréstimos online, além de comodidade, a intermediação financeira por meio da Internet pode oferecer taxas mais vantajosas.

“O banco define os juros englobando bons e maus pagadores. A gente não dá crédito para quem não paga, então, conseguimos taxas melhores”, apontou. Enquanto a taxa de juros média do crédito pessoal não consignado está 120,9% ao ano, na Lendico, que é uma correspondente do banco BMG, é de 33,52% ao ano.

O impacto das novas tecnologias, especialmente o internet banking e o mobile banking (celular), contudo, deve ser maior nos médio e longo prazo. A greve atual seguiu, ontem, para seu oitavo dia, ainda sem acordo entre os funcionários e os banqueiros. De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), 11.437 agências estavam paralisadas na terça.

“Os bancos ainda não se estruturaram para fazer um pleno atendimento on-line. A medida que as instituições vão migrando para a internet a necessidade de funcionários diminui”, analisou Ciampolini.

Uma pesquisa da Contraf-CUT em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que, nos primeiros sete meses deste ano, foram fechados 5.864 postos de trabalho nos bancos brasileiros, um avanço de 62,8% em relação a 2014, quando 3,6 mil funcionários perderam seus cargos.

Informações dos balanços dos bancos também mostram que o número de agências do País vem diminuindo. O Itaú Unibanco, por exemplo, fechou 29 postos de atendimento entre março e junho deste ano, enquanto o Bradesco diminuiu sua rede em 33 agências no período.

“A loja online não fecha. Vários dos nossos parceiros já têm a opção de avaliação, aprovação e formalização do crédito de forma digital. O cliente faz todo o processo pela internet”, afirmou Ricardo Kalichsztein, ceo da Bom Pra Crédito, plataforma online de empréstimos que tem parceria com vários bancos.

Para Kalichsztein e Ciampolini, o avanço das plataformas alternativas de serviço bancários é inevitável e o espaço ocupado por elas de ser cada vez maior em relação as operações feitas por funcionários.

Em nota, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) apontou que, atualmente 47% das contas ativas no País (51 milhões) realizam transações utilizando Internet e 24% (25 milhões) os smartphones.

Empréstimos e serviços

Atualmente, a greve dos bancários já tem pouco impacto nos clientes que precisam realizar serviços, como pagamento de contas, transferências e consultadas de saldos. Segundo o BC, no ano passado, 75,6% das transferências foram feitas pela Internet, contra 8,0% nas agências. Já o pagamento de contas foram 30,9% na Internet e 15,5% em agências tradicionais.

Quando se trata dos empréstimos e financiamentos, no entanto, o cenário muda: 60,5% das operações foram feitas em agências contra 18,6% na Internet.

“À medida que as pessoas conhecem as vantagens, a comodidade e os preços de realizar o empréstimo pela internet, ela passa a usar este canal”, observou Ciampolini. “Ocorrências pontuais, como uma greve, ajudam nesse sentido: sem saber o que fazer, as pessoas que ainda não conheciam o serviço online acabam recorrendo a este canal”, completou o executivo.

Um estudo da Febraban aponta que o número de operações de crédito contratadas pelo celular aumentou 190% em 2014 sobre 2013, para 10 milhões de operações. Já os empréstimos pela Internet subiram 20% no período, para 40 milhões de operações.

“As agências, de fato, ganharam um novo papel no atual cenário e passaram a ser mais consultivas”, afirmou o Gustavo Fosse, diretor setorial de Tecnologia Bancária da federação de bancos.

Pedro Garcia

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