BB decepciona, apesar de alta no lucro

O ESTADO DE S. PAULO – SP | ECONOMIA E NEGÓCIOS
Josette Goulart

Banco
DO BRASIL lucrou 117% a mais no primeiro trimestre, mas preocupação com risco de crédito levou a uma queda de 4% nas ações

Nem o forte aumento de 117% no lucro do Banco DO BRASIL no primeiro trimestre anunciado ontem animou os investidores, que derrubaram o papel da instituição na bolsa de valores. As ações ordinárias (com direito a voto nas principais decisões da companhia) registram as maiores perdas do pregão, de quase 4%, com a avaliação de uma piora da qualidade de crédito da carteira do Banco.

O aumento do lucro do BB foi baseado principalmente na parceria feita com a Cielo, empresa que administra cartões, em 2014 e que só agora trouxe efeitos ao balanço. Mas mesmo sem esse efeito, o lucro teria crescido 24%, chegando a R$ 3 bilhões. Um aumento comparável ao dos bancos privados.

Mesmo assim, analistas questionaram a SUSTENTABILIDADE do resultado ao longo do ano. “O resultado foi favorecido por menor pagamento de impostos e aumento da inflação”, escreveram os analistas do Credit Suisse em relatório a clientes.

Devedores duvidosos. A piora na qualidade do crédito foi o que mais preocupou. As despesas para provisões com devedores duvidosos cresceram mais de 40% em 12 meses, chegando a R$ 6 bilhões. Já o saldo das provisões, que é um termômetro do risco de crédito de um Banco, chegou a R$ 27 bilhões, crescendo mais de 20%.

As provisões de empréstimos crescem por dois motivos. O primeiro é pelo aumento da carteira de crédito do Banco, que foi de 11% em 12 meses. O segundo é pela avaliação de um risco maior de calote, o que piorou com a Operação Lava Jato, em que empresas do setor de construção e de óleo e gás estão com dificuldades para pagar empréstimos e entrando em recuperação judicial. “Temos uma postura de ser mais conservador. Fizemos provisões para clientes que tinham até operações em dia, mas que tiveram agravamento de risco”, disse o vice-presidente do BB, José Maurício Coelho.

O balanço do BB mostra que a exposição total ao setor petroleiro chega a R$ 44 bilhões. Quase metade desse valor é de empréstimos diretos à Petrobrás, que ainda receberá outros R$ 4,5 bilhões de créditos à Exportação no segundo trimestre.

Outro indicador analisado pelos investidores é a taxa de inadimplência para atrasos de pagamento de mais de 90 dias. Em 12 meses, esse índice teve uma leve queda,mas subiu comparado com o fim de 2014, saindo de 2,7%para 2,9%. O que chamou a atenção foi o índice de inadimplência das operações para empresas do Banco Votorantim (o BB é dono de metade da instituição). Em dezembro, a taxa era de 6% e subiu para 9%.

Superávit. Se por um lado, o crescimento do lucro não sensibilizou o mercado, por outro, a conclusão da parceria do BB com a Cielo vai garantir ao governo dividendos dobrados no primeiro trimestre. Deve entrar para os cofres do Tesouro, cerca de R$ 1,4 bilhão, valor 107% superior ao ano anterior. Mansueto Almeida, especialista em contas públicas, pondera que a contribuição desses dividendos será um auxílio relevante para o governo fechar suas contas. Mas será limitado diante danecessidade doMinistério da Fazenda de entregar um superávit primário equivalente a 1,13% do PIB./COLABORARAMALI-NE BRONZATI E SÍLVIA ARAÚJO

Banco reserva R$ 536 mi para perdas com planos

• O Banco DO BRASIL fez uma provisão de R$ 536 milhões no primeiro trimestre para possíveis perdas com ações judiciais que discutem os planos econômicos da década de 90. De acordo com Walter Malieni, vice-presidente de controles internos e gestão de riscos da instituição, o lucro robusto permitiu que fosse feita essa provisão adicional. Isso porque qualquer provisão desse tipo afeta diretamente a linha de lucro do Banco.

“No final do ano, se encerrou uma ação coletiva promovida pelo Idec e é natural que ocorra uma concentração de entrada. O BB provisionou este valor para termos condições de executar essa demanda se de fato houver uma elevação dos valores a serem pagos”, disse o executivo.

A questão dos planos econômicos é uma demanda que está sendo julgada no Supremo Tribunal Federal (STF) e definirá se os bancos devem aplicar índice de correção aos poupadores da época. As contas dos impactos desse julgamento nos bancos são diversas. Enquanto o Idec calcula algo em torno de R$ 8,4 bilhões, a Federação dos bancos chegou a apresentar um número de R$ 400 bilhões.

Cautela

“Fizemos provisões para clientes que tinham até operações em dia, mas que tiveram agravamento de risco.”

José Maurício Coelho

VICE-PRESIDENTE DO Banco DO BRASIL

518376083653369064.jpg

Anúncios

Sobre Blog dos Bancários

Bancário
Esse post foi publicado em Noticias. Bookmark o link permanente.