Lucro do Itaú alcança R$ 5,8 bi, apesar de aumento nas provisões contra calotes

O ESTADO DE S. PAULO – SP | ECONOMIA E NEGÓCIOS
Josette Goulart

Resultado. Banco, que registrou crescimento nos ganhos de 30% no 1° trimestre, foi o que mais reforçou a proteção contra devedores duvidosos; para este ano, deterioração do cenário econômico levou o Itaú a reduzir previsão de aumento nos empréstimos
Josette Goulart

O Itaú Unibanco continua lucrando mais que seus concorrentes. No primeiro trimestre deste ano foram R$ 5,8 bilhões, quase 30% mais do que no ano passado. Ao mesmo tempo, o Banco tem feito mais provisões para calotes que a concorrência. Os efeitos da Lava Jato estão sendo sentidos pelas instituições financeiras e no Itaú essas provisões cresceram 18% em 12 meses, chegando a R$ 95,84 bilhões.

Os números divulgados ontem pelo Banco foram fortemente afetados pelos ganhos com as chamadas operações de tesouraria, em que basicamente a instituição aplica o dinheiro do próprio Banco. No primeiro trimestre, essas operações somaram R$ 1,8 bilhão, valor 83% superior ao do trimestre anterior e 204% maior que o do mesmo período de 2014. Esses resultados acabaram compensando as perdas com provisões para calotes.

As provisões no Itaú para possíveis perdas com empréstimos para grandes empresas, segundo o diretor de relações com investidores do Banco, Marcelo Kopel, vêm crescendo desde o terceiro trimestre do ano passado. E parecem ter ganhado mais peso. Tanto que o Banco reviu suas metas para o ano: a estimativa agora é de que as despesas com provisões fiquem entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões em 2015. A estimativa anterior era de R$ 13 bilhões a R$ 15 bilhões em 2015.

Em 12 meses, essas despesas cresceram 29%. No primeiro trimestre, atingiram R$ 5,5 bilhões. As despesas com provisões atingem diretamente a linha do lucro líquido. Já as provisões são registros contábeis que mostram a evolução do risco da carteira de crédito do Banco.

Até agora o Itaú foi a instituição financeira que mais reforçou suas provisões. Não é possível saber todas as empresas às quais os bancos concedem empréstimos por questões de sigilo Bancário. Mas alguns créditos acabam se tornando públicos. No caso do Itaú, o Banco tem participação importante em um empréstimo de R$ 12 bilhões feito à Sete Brasil, empresa criada para gerenciar a compra de sondas para o pré-sal e que está com sérias dificuldades financeiras desde que seus administradores foram implicados na Operação Lava Jato. A companhia precisava de liberação dos recursos do BNDES para pagar os outros bancos, o que não aconteceu até agora.

O Itaú também tem exposição a empreiteiras e empresas de óleo e gás envolvidas na Lava Jato. Em meados de abril, o grupo Schahin pediu recuperação judicial e listou o Banco como credor de cerca de R$ 215 milhões de uma das empresas do grupo que opera sondas para a Petrobrás. Outros R$ 60 milhões estão na lista da Galvão Engenharia.

Crédito. Mesmo com aumento de provisões, o Itaú se expôs mais neste trimestre ao setor privado de óleo e gás. A carteira de crédito neste segmento cresceu 10% no primeiro trimestre do ano. Entre as empresaspriva-das, receberam mais crédito os setores de metalurgia, obras de Infraestrutura e petroquímica e química. Também cresceram os empréstimos para o setor público, que tem a Petrobrás como principal cliente.

A carteira total do Banco cresceu 3,4%, puxada justamente pelas grandes empresas. O crédito à pessoa física cresceu menos de 1%, reflexo de uma menor demanda. Selevado em consideração o período de 12 meses, a carteira total cresceu 13,8%. Mas o cenário da economia está se deteriorando nas previsões do Itaú, que foi o primeiro Banco a reduzir as metas de crédito para este ano. A estimativa no fim do ano passado era de que os empréstimos cresceriam pelo menos 6%, podendo chegar a 9%.Agora o Banco já analisa que esse crescimento pode ser de apenas 3% e, no máximo, de 7%

Aumenta a distância entre Itaú e BRADESCO

• A distância de ativos entre o Itaú e o BRADESCO continuou a subir e alcançou, ao final do primeiro trimestre, o maior patamar desde a fusão Itaú/Unibanco, em 2008. O montante chegou próximo dos R$ 260 bilhões ante cifra de R$ 176,6 bilhões nos três meses anteriores. Foi o segundo aumento trimestral seguido.

O crescimento da distância ocorreu porque o Itaú Unibanco expandiu seus ativos em ritmo superior ao visto no concorrente. O Banco totalizou R$ 1,295 trilhão ao final de março, aumento de 16,9% perante o mesmo intervalo do ano passado. Na comparação com dezembro, o VAR.

16,9% Carteira de crédito Provisões para calotes VAR

Já o BRADESCO encerrou março com R$ 1,035 trilhão de ativos, cifra 12,2% maior que a registrada em um ano, de R$ 922,229 bilhões. No comparativo com dezembro, foi identificada leve expansão de 0,3%.

A diferença em relação ao montante de ativos do Itaú pode ser reduzida ou até mesmo eliminada caso o BRADESCO adquira o HSBC no Brasil, que negocia a operação com assessoria do Goldman Sachs. Segundo fontes, BRADESCO é um dos fortes candidatos a adquirir o britânico.

Com cerca de R$ 168 bilhões em ativos, o HSBC é o sétimo maior Banco do País. Considerando os números do primeiro trimestre, o BRADESCO, com R$ 1,035 trilhão de ativos, encostaria na cifra de R$ 1,295 trilhão registrada pelo Itaú ao final de março. / a. b.

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