Contra assaltos, bancos gastam R$ 9 bilhões

VALOR ECONÔMICO -SP | SUPLEMENTO – SEGURANÇA PRIVADA
Luiz Antonio Cintra | Para o Valor, de São Paulo

São 68 mil vigilantes em ação, encarregados de monitorar 23 mil estabelecimentos. E 159 mil caixas eletrônicos, igualmente espalhados pelo país, muitas vezes em lugarejos onde a força policial é rarefeita. Na batalha entre as instituições bancárias e os assaltantes, estes até que têm levado a pior. Em 2014, foram 395 assaltos, segundo a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), ante 449 em 2013, e 1,9 mil em 2000. O dado é ainda mais significativo quando se considera que, nesse período, o número de correntistas e de agências cresceu de forma acelerada: de 54 milhões de correntistas, em 2001, para 108 milhões em 2014, segundo o Banco Central e a Febraban.

O quadro está longe de tranquilizador, a despeito da escassez de dados e reticência dos maiores bancos em falar sobre o tema. Em 2013, pesquisa feita por uma federação de sindicatos de bancários e o Dieese contabilizou 65 mortes em assaltos a bancos. E, nos últimos cinco ou seis anos, cresceu as explosões de caixas eletrônicos.

Frear os crimes exigiu dos bancos ampliar os investimentos em segurança. Hoje, a conta é de cerca de R$ 9 bilhões ao ano, sendo o terceiro item da planilha de custos, atrás da folha de pagamento e gastos em tecnologia. Custo que tende a seguir em alta: o Banco DO BRASIL, por exemplo, calcula que em 2015 essa conta ficará 10% mais salgada. Como no caso dos demais itens, engrossará o spread Bancário.

Na agenda da Febraban em 2015, a discussão ganhou peso também pela necessidade de influenciar o Estatuto da Segurança Privada. No rol de leis a serem revistas ou elaboradas, estão aquelas ligadas à segurança dos bancos.

Diretor de segurança institucional do Banco DO BRASIL, Ricardo Lot acompanha as discussões. E chama atenção para um ponto que considera central: “O novo estatuto precisa deixar claro de quem é a competência sobre a segurança Bancária, se federal, municipal ou estadual. Caso contrário, continuaremos a ter legislações inócuas ou evidentemente interesseiras, muitas vezes aprovadas em câmaras municipais ou assembleias por desinformação ou lobby.”

Nos casos extremos, calcula a Febraban, o reparo de uma agência pode ultrapassar R$ 1 milhão. Na média, custa R$ 250 mil para recuperá-la, e cerca de 15 dias de inatividade. Em vez de vidro blindado, melhor seria, diz Lot, obrigar a instalar câmaras que filmassem o lado de fora de agências e caixas. Em 2014, o BB investiu R$ 1 bilhão em segurança patrimonial, incluídos 14 mil profissionais terceirizados.

A diretoria de segurança patrimonial da CAIXA ECONÔMICA FEDERAL afirma, por meio de nota, que manterá o investimento em segurança neste ano, após ter ampliado os gastos em 43% entre 2011 e 2014. Em relação ao novo estatuto, a CEF avalia: “seriam benéficas alterações que trouxessem penas mais severas e mudança na tipificação de alguns crimes, a exemplo do arrombamento de caixas eletrônicos por explosão”.

No Itaú Unibanco, 100% das agências tem imagens monitoradas em tempo real. E um centro de monitoramento virou referência. “São 35 consultores especializados que contribuíram para a redução de 55% na quantidade de sinistros entre 2012 e 2014, com o tempo de identificação de indícios de crimes inferior a um minuto”, disse o Banco em nota.

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