Wagner e Berzoini negociam segundo escalão

Há centenas de cargo em disputa pelos aliados. O PMDB está de olho no Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs) e na Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), ligados ao Ministério da Integração Nacional, sob controle do PP. Estão em jogo, ainda, presidências e diretorias do Banco DO BRASIL, CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, Correios, estatais do setor elétrico, agências reguladoras e superintendências regionais. Ontem, o “Diário Oficial da União” trouxe nomeações no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), ligado ao Ministério dos Transportes, em cinco Estados.

VALOR ECONÔMICO -SP | POLÍTICA
Andrea Jubé | De Brasília

Para atenuar o temor dos petistas de que o PMDB assuma as rédeas do governo, com hegemonia na articulação política, a presidente Dilma Rousseff designou uma comissão de ministros do PT para dialogarem com o vice-presidente Michel Temer, em especial sobre os cargos do segundo escalão.

Foram escalados os ministros das Comunicações, Ricardo Berzoini, e da Defesa, Jaques Wagner, para atuarem como interlocutores do PT nas pendências da articulação política e da divisão de espaços no segundo e terceiro escalão. Há uma reivindicação dos partidos aliados para que essa questão seja liquidada logo para ajudar a pacificar a base no Congresso. A espera remonta à eleição para a presidência da Câmara e à divulgação dos investigados na Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal.

Até a semana passada, uma minuciosa planilha, com o detalhamento dos cargos no segundo escalão e respectivas preferências partidárias repousava sobre a mesa do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante. O mapa de cargos havia sido elaborado a quatro mãos entre Mercadante e o então titular da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Pepe Vargas. Agora Mercadante foi afastado dessa tarefa, dando lugar a Berzoini e Wagner.

A decisão foi tomada no domingo em uma reunião no Palácio da Alvorada, fora da agenda oficial, com os ministros do PT mais próximos à presidente. Ontem Dilma apresentou o novo time de interlocutores ao vice-presidente Michel Temer, em conversa reservada no Planalto, após a reunião da coordenação política. Berzoini foi convocado pela memória do assunto: deflagrou as tratativas com aliados quando ainda comandava a SRI, cargo que trocou pelas Comunicações no segundo mandato. Wagner foi acionado pelo traquejo político. Ele já atuou como emissário especial de Dilma em missões delicadas, como acalmar o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no auge das diferenças do pemedebista com o Planalto.

Auxiliares da presidente relataram ao Valor que ela foi “intransigente” ao determinar que a coordenação política é atribuição exclusiva de Temer. “Ela não admitirá nenhum ministro do PT disputando espaço com Temer e está decidida a fortalecer o papel do vice”, explicou um assessor.

No mesmo encontro, Dilma reforçou que a atuação de Mercadante deve se restringir à gestão de governo, embora nos últimos dias tenha delegado missões especiais ao chefe da Casa Civil nessa seara. Mercadante ainda atuava como interlocutor dos presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado no Palácio.

Mas Dilma sabe que esse modelo está longe do ideal, porque a relação de Temer e Mercadante tem sido conflituosa. Um dos motivos é a atuação considerada inabilidosa do chefe da Casa Civil com o PMDB. “Cada um terá suas tarefas, eu não interferirei nas questões administrativas”, disse Temer sobre Mercadante na semana passada.

Uma das prioridades de Temer é garantir a nomeação do ex-presidente da Câmara Henrique Alves (PMDB-RN) para o Ministério do Turismo – o comunicado oficial é aguardado para esta semana. Esse desfecho depende da definição do espaço no segundo escalão que caberá a Renan, padrinho político do titular do Turismo, Vinícius Lages. Uma ala de ministros petistas defende que o pemedebista seja contemplado com a presidência da Transpetro, para onde indicaria Lages, um técnico que tem o respeito de Dilma. Renan foi padrinho do ex-presidente da subsidiária da Petrobras, Sérgio Machado, que pediu demissão em fevereiro. Ele foi citado na delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa na Operação Lava-Jato.

O PT quer a presidência de Itapu Binacional para o ex-ministro das Comunicações Paulo Bernardo, mas subsiste o risco de que ele seja envolvido nas investigações da Lava-Jato, como sua mulher, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). Também no setor elétrico, o PT reivindica a presidência da Eletrosul para o ex-deputado federal Claudio Vignatti (SC).

Há centenas de cargo em disputa pelos aliados. O PMDB está de olho no Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs) e na Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), ligados ao Ministério da Integração Nacional, sob controle do PP. Estão em jogo, ainda, presidências e diretorias do Banco DO BRASIL, CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, Correios, estatais do setor elétrico, agências reguladoras e superintendências regionais. Ontem, o “Diário Oficial da União” trouxe nomeações no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), ligado ao Ministério dos Transportes, em cinco Estados.

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