Boletim Pessoal — Cassi, um compromisso de todos nós (Nós? Quem inchou aquela estrutura?)

Parece que o Valmir Camilo ainda incomoda muita gente. Fica claro no último parágrafo que esse Boletim foi motivado pela correspondência divulgada pelo Valmir com algumas constatações e propostas para a situação da Cassi.

Colega,

Há muito tempo, nossos pronunciamentos enfatizam a importância estratégica de nossa Caixa de Assistência como instrumento da política de gestão de pessoas do Banco. Trata-se de uma Instituição que, apesar de seus setenta e um anos de existência, tem menos de vinte de autonomia administrativa.

Até 1996, era administrada pelo BB, como se fosse uma de suas áreas internas. A partir daquele ano, tornou-se pessoa jurídica, com CNPJ próprio, e modelo de gestão compartilhado. A Instituição passou a ter diretoria e conselhos deliberativo e fiscal compostos paritariamente por membros indicados pelo BB e eleitos pelos associados.

De lá para cá, a Cassi passou por vários avanços, como melhoria de processos, informatização de procedimentos, aperfeiçoamento da governança, implementação de programas de saúde, etc. Todos esses avanços, por força estatutária, passaram pela aprovação de eleitos e indicados.

Isso significa que, se existe na Cassi uma estrutura composta por Unidades Regionais e CliniCassi, bem como a Estratégia Saúde da Família – ESF e os vários programas de saúde ofertados pela Entidade, é porque o Banco, por meio dos seus representantes indicados, aprovou a criação e a implementação dessas medidas, numa clara demonstração da relevância que o tema saúde dos funcionários tem para a Empresa.

A implementação de todas essas diretrizes em saúde teve um único objetivo por parte do BB: apostar na estratégia de que investir na prevenção é melhor que tratar a doença, tanto sob o ponto de vista econômico e financeiro, quanto em relação aos indicadores de saúde.

Ocorre que, apesar de conceitualmente interessante, a operacionalização desse objetivo, para ser viável, requer demanda compatível e eficiência na sua gestão. O fato é que tanto a ESF, quanto as Unidades e Clinicassi, na forma como atualmente estruturadas, não têm atingido os resultados esperados. Além disso, atendem uma parcela limitada dos associados e não alcançam aqueles que se encontram no interior do País.

Soma-se a isso o desafio, no Brasil e no mundo, da busca por equilíbrio financeiro, uma vez que as receitas são sempre limitadas pela capacidade de pagamento dos participantes e as despesas crescem em ritmo muito superior a essas receitas, sobretudo porque os custos dos procedimentos médicos e hospitalares ascendem exponencialmente, bastante estimulados pelo surgimento de novas tecnologias. No caso dos planos de saúde, como o de Associados da Cassi, que têm suas receitas atreladas a percentuais do salário, essa situação se agrava ainda mais.

A realidade se impõe. Ainda que nos últimos anos os salários dos funcionários do Banco tenham acumulado índices de reajuste acima da inflação, de forma significativa, a dimensão desse crescimento não faz frente à elevação dos gastos em saúde da nossa Caixa de Assistência.

Apesar dos esforços para superar as dificuldades, o Plano de Associados da Cassi apresentou em 2014, pelo terceiro ano consecutivo, déficit em seus resultados. E o pior, projeta novo resultado negativo de mais de R$ 200 milhões para o presente exercício. Nesse cenário adverso, o Plano vem consumindo suas reservas líquidas, que são aquelas que garantem a sua solvência. Esses resultados demonstram que o atual modelo de atuação da Cassi precisa ser revisto e aperfeiçoado.

Fica clara, portanto, a necessidade da adoção de medidas que, no curto, médio e longo prazos, sejam capazes de reverter essa situação. Não devemos e não podemos esperar pela insolvência do Plano, assim como não é mais possível aguardar por aportes financeiros do patrocinador – que já participa com parcela 50% superior à dos associados no custeio do Plano e teriam, por força legal, impacto negativo expressivo no resultado da empresa. Detalharemos essa questão futuramente.

Nesse contexto, cumpre a todos os administradores daquela Instituição, eleitos e indicados, por dever de diligência (obrigação legal de zelar pela perenidade da Cassi), atuar de forma propositiva e responsável. Mais de 400 mil pessoas vinculadas ao Plano dependem disso. São nossos parentes, filhos, esposas, maridos, além de nós mesmos, funcionários do BB, os mais envolvidos e interessados nessa discussão.

Diante da importância do tema, emerge a necessidade de que todos tomem conhecimento da real situação da Cassi e das alternativas existentes. Este boletim é o início de um compromisso de esclarecimento. Faremos, daqui por diante, uma série de comunicações internas sobre os debates envolvendo a Cassi e os posicionamentos do Banco. Falaremos sobre questões financeiras e atuariais, regulação (direitos e deveres para utilizar o Plano), negociação com médicos e hospitais, verticalização (investimento em hospitais da própria Cassi), comparativo com outros planos de saúde e com o sistema de autogestão.

Neste momento, o Banco mantém seu compromisso com o funcionalismo, de assegurar e aperfeiçoar a sua política de saúde, reconhecida nas pesquisas que realizamos como uma das principais formas de atrair funcionários e retê-los na Empresa.

Apesar de crítica, acreditamos que com muita responsabilidade e profissionalismo podemos reverter a situação delicada pela qual passa a nossa Caixa de Assistência, investindo, dentre outras possibilidades, no maior controle de gastos e na maior efetividade nas negociações com prestadores.

Não podemos, neste momento, nos perder em abstrações e modelos que não guardem vínculos com a complexidade do setor de saúde. Muito mais que fazer discursos ou divulgar ideias “salvadoras”, precisamos de medidas concretas e eficazes que garantam a perenidade da nossa Caixa de Assistência, preservando a sua qualidade e sustentabilidade.

Bom trabalho!

Carlos Eduardo Leal Neri
Diretor de Relações com Funcionários e Entidades Patrocinadas

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