Senador petista que já renunciou a mandato presidirá CPI do HSBC

O GLOBO – RJ | PAÍS

CRISTIANE JUNGBLUT crisjung

Paulo Rocha, absolvido pelo STF no mensalão, evitou ser cassado na Câmara
-BRASÍLIA- O Senado instalou ontem a CPI do HSBC, que vai investigar supostas irregularidades da instituição envolvendo a abertura de contas numeradas na Suíça, sem que os correntistas informassem a Receita Federal. O senador Paulo Rocha (PT-PA), investigado e absolvido no escândalo do mensalão, foi escolhido presidente da comissão. Em 2005, no auge do escândalo, ele renunciou ao mandato de deputado federal para escapar da ameaça de cassação.
Antes de iniciar os trabalhos ontem, o petista deu explicações sobre o julgamento a que foi submetido no Supremo Tribunal Federal (STF) por conta do mensalão. Disse que evitará uma investigação "espetacular" porque viveu isso na pele.
– A vivência que tenho com meus colegas, com vários partidos, me autoriza a dirigir essa CPI com equilíbrio e responsabilidade. Nos próximos 90 dias, temos muito trabalho pela frente. Mas sei o que está envolvido nisso. Vou dirigir com equilíbrio e responsabilidade que se requer, principalmente devido à tentação de se transformar esse local em espetacular. Digo isso porque, desde 2005, vivi e senti isso na pele. Passei por uma investigação muito forte, dada à essa coisa da investigação espetacular, sem acesso à informação e ao amplo direito de defesa. Então, presidirei com esse cuidado – disse o senador.
Rocha, no STF, foi beneficiado pelo empate, que favorece o réu: cinco ministros votaram por sua condenação e cinco pela absolvição. Na época, assim como hoje, o STF, composto por 11 ministros, estava desfalcado de um, o que permitiu o empate. Então deputado federal pelo PT do Pará, ele era acusado do crime de lavagem de dinheiro, por ter recebido R$ 820 mil de Marcos Valério, operador do mensalão.
Durante o julgamento, a defesa de Rocha negou o crime e disse que o dinheiro foi usado para o pagamento de dívidas de campanha. Na época, ele renunciou ao mandato.
O senador Ricardo Ferraço ( PMDB- ES) será o relator da CPI. O autor do requerimento de criação da CPI, senador Randolfe Rodrigues ( PSOLAP), será o vice-presidente da comissão, que terá 90 dias de prazo para as investigações, prorrogáveis por mais 90.
Randolfe disse que não haverá "caça às bruxas". A CPI vai investigar irregularidades praticadas pelo HSBC na abertura de contas em que mais de U$ 204 bilhões foram potencialmente ocultados ao Fisco de mais de cem países. Nessa conta, estão incluídos 8.667 brasileiros, com uma estimativa preliminar de mais de US$ 7 bilhões em contas e que se furtaram a cumprir suas obrigações tributárias. Há suspeita da prática de crimes que vão de evasão de divisas a fraudes fiscais.
– É oportuna a iniciativa de investigar o escândalo de grandes proporções, que não apenas abalou o mundo das finanças, com a notícia de que 8.667 brasileiros estão nesta lista. Não sabemos se essa é apenas a ponta do iceberg, ou se é a ponta d’água. É o segundo maior Banco do mundo. A lavagem de dinheiro pode estar ligada a à Operação Lava-Jato – disse Ferraço.
O escândalo, que veio a público com o vazamento de informações sobre contas na Suíça do Banco HSBC e foi batizado de SwissLeaks, é alvo de uma série de reportagens que vem sendo publicadas pelo GLOBO.

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