PT quer volta da CPMF para bancar ajuste fiscal

O ESTADO DE S. PAULO – SP | POLÍTICA
Vera Rosa, Adriana Fernandes
Partido retoma proposta de recriação de imposto sobre cheques um dia depois de reunião de deputados da sigla com o ministro da Fazenda
A cúpula do PT vai defender a volta da CPMF, o imposto do cheque, como alternativa para manter os PROGRAMAS SOCIAIS em andamento diante do forte ajuste fiscal que será imposto pelo governo Dilma Rousseff. Além disso, o PT vai insistir na proposta de taxação das grandes fortunas, embora o governo pretenda enviar ao Congresso projeto de criação de um imposto federal sobre heranças.

“O governo é uma coisa, e o partido é outra”, disse o presidente do PT, Rui Falcão. “A presidenta vai mandar para o Congresso um projeto de taxar grandes heranças, que hoje é um imposto estadual sobre qualquer herança. É preciso tomar cuidado para que não achem que nós queremos tungar os velhinhos e as velhinhas. Nós queremos taxar as grandes, porque é isso que perpetua a desigualdade no mundo todo”, afirmou.

A CPMF, por sua vez, não é chamada de imposto pelo PT. “Não estamos falando de novo imposto. É uma contribuição social sobre a saúde”, afirmou Falcão.

O PT discorda da revisão de direitos trabalhistas e previdenciários proposta pelo governo para cortar despesas, como as restrições para acesso ao seguro desemprego e ao abono salarial, e vai propor ao governo “fontes alternativas” para aumentar a arrecadação. Na lista estão a CPMF e o imposto sobre grandes fortunas. “Grandes fortunas, imposto sobre herança, financiamento da saúde são bandeiras aprovadas em reunião do Diretório do PT. Eu não estou inventando a roda”, comentou o presidente do PT.

Questionado sobre declarações do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para quem medidas como a taxação de grandes fortunas não têm tanto impacto, Falcão disse que, embora seja “muito difícil” no Brasil mudar a estrutura tributária “regressiva e injusta”, o PT continuará insistindo nisso por causa de sua base social. “É um impacto que ajuda no ajuste fiscal e que dialoga com a nossa base também”, admitiu ele.

Na avaliação de Falcão, que se reunirá hoje com deputados do PT para discutir essas propostas, as mudanças na base tributária do Imposto de Renda também “reduzem a desigualdade e, além disso, favorecem a classe média”.

Debate. Em jantar anteontem com o ministro da Fazenda, parlamentares petistas cobraram medidas para garantir o crescimento da economia e a taxação de grandes fortunas pela Receita Federal. Petistas exigiram um argumento político para a defesa do plano traçado pela equipe econômica. Os parlamentares afirmaram que aprovam as medidas, mas precisam de “alguma coisa”para ir ao embate político nas votações. “As medidas econômicas precisam se subordinar à lógica política”, disse a deputada Mariado Rosário (PT-RS). Os petistas cobraram também um prazo para o Brasil voltar a crescer.

“O que vem depois do ajuste?”, questionou o deputado Sibá Machado (PT-AC), líder do partido na Câmara, durante o jantar, segundo apurou o Estado. Levy reforçou mais uma vez o discurso de que não haverá crescimento sem o ajuste nas contas públicas.

• Argumentos

“As medidas econômicas precisam se subordinar à lógica política”

Maria do Rosário

DEPUTADA (PT-RS)

“O que vem depois do ajuste?”

Sibá Machado (AC)

LÍDER DO PT NA CÂMARA

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