Segundo escalão em banho-maria

CORREIO BRAZILIENSE – DF | POLÍTICA
» PAULO DE TARSO LYRA

Aliados temem que indicações sigam critério usado por Dilma na nomeação de Bendine para a Petrobras, escolhido sem consulta à base
354447055.jpgUma semana após o chefe da Casa Civil, ministro Aloizio Mercadante, ter anunciado no Congresso Nacional que o governo iniciará as negociações para os cargos do segundo escalão, nenhum acordo com os partidos foi iniciado. Pior: o movimento feito pela presidente Dilma Rousseff ao indicar Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco DO BRASIL, para dirigir a Petrobras preocupa os aliados. Além da avaliação quanto ao equívoco da escolha, a petista tomou a decisão de maneira isolada, sem consultar ninguém. “Foi um desastre. É inacreditável o que aconteceu”, assustou-se um petista.

A situação complica-se ainda mais porque os cargos do segundo escalão são encarados, neste momento, como uma maneira de recompor a articulação política e tentar fechar as fissuras decorrentes das eleições das mesas da Câmara e do Senado. A preocupação encontra-se especialmente em relação aos deputados, que deram uma mostra explícita de insatisfação com o Planalto ao despejar uma enxurrada de votos em Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Comandando as duas Casas e com a capacidade de infernizar a vida do governo sempre que lhe for conveniente, o PMDB é a principal preocupação neste momento. Após a tática desastrosa da semana passada, quando Dilma Rousseff liberou seus ministros para tentar eleger o petista Arlindo Chinaglia (PT) para a presidência da Câmara, é prudente, segundo aliados, não travar outra batalha com os peemedebistas.

Com isso, poucos apostam em mudanças de cargos no setor elétrico. A Eletrobras e a Eletronorte estão sob o comando, respectivamente, de afilhados dos ex-senadores José Sarney (AP) e Jader Barbalho (PA). O primeiro votou em Aécio Neves (PSDB-MG) na disputa presidencial, fez um artigo virulento criticando a construção das refinarias da Petrobras no Maranhão e, internamente, tem vaticinado que há uma “crise institucional a caminho”.

Jader Barbalho, amigo pessoal do ex-presidente Lula, emplacou o filho, Helder, no Ministério da Pesca, pasta importante para o Pará. “Eu duvido de que, neste momento de fragilidade e instabilidade política, a presidente tenha a coragem de mexer nos cargos do PMDB. Seria um suicídio político”, alertou um integrante da base de apoio no Congresso.

O que incomoda os aliados é o completo deserto de informações sobre o que pensa a presidente Dilma Rousseff. Até a tarde de quinta-feira, as apostas que circulavam no Planalto eram de que, nesta semana, Dilma começaria as nomeações para os bancos públicos. Miriam Belchior, ex-ministra do Planejamento, deve mesmo ir para a CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, em substituição a Jorge Hereda.

Mas a escolha de Bendine para a Petrobras antecipou um movimento e deixou outro em aberto. Interlocutores da presidente davam como praticamente certa a ida dele para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BDNES), no lugar de Luciano Coutinho. Curiosamente, ambos foram cotados para a Petrobras. Com a nomeação de Bendine para o comando da petroleira, Coutinho deve ganhar uma sobrevida no BNDES. Na sexta-feira, foi sacramentada a indicação de Alexandre Abreu para a presidência do Banco DO BRASIL.

Nas demais divisões de cargos, a briga é intensa. O PP, que fechou apoio formal à eleição de Eduardo Cunha para a presidência da Câmara, mesmo sendo titular do Ministério da Integração Nacional (Gilberto Occhi), negocia agora com o Planalto como vai se comportar nas votações da Câmara. O partido pressiona para assumir os comandos da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf) e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). As duas empresas eram controladas pelo PSB, mas foram redistribuídas ao PT após Eduardo Campos, morto em agosto de 2014, romper com o Planalto para candidatar-se a presidente da República.

“Se a definição do primeiro escalão foi caótica, tenho medo dos remendos que serão feitos no segundo escalão”, queixou-se um senador petista. “Dilma parou tudo para resolver a situação da Petrobras. Esperamos que ela saiba o que fazer daqui para a frente”, afirmou outro aliado.

9

Quantidade de partidos que integram a base governista

» Quem indica

Confira o loteamento partidário

Eletrobras

» Presidente Dilma

» PMDB ligado ao ex-presidente José Sarney

» Ex-ministro Walfrido dos Mares Guia

» PT

Eletronorte

» PMDB ligado ao senador Jader Barbalho

» PT ligado à senadora Ana Júlia Carepa

» PT ligado à direção nacional

Eletrosul

» Presidente Dilma

» PT

» PMDB

Chesf

» PT

Itaipu

» PT e PDT

Correios

» PT

Valec

» PT e PR

DNIT

» PR e PT

Conab

» PTB

» PMDB

» PT

DNOCs

» PT

Sudene e Sudeco

» PROS

Fundos de Pensão

» PT

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