Bancos estatais mudam comando para buscar blindagem política

FOLHA DE S. PAULO – SP | MERCADO
TONI
Novos dirigentes terão de garantir transparência e evitar uso político das instituições

O ex-secretário-executivo do Ministério da Fazenda Paulo Rogério Caffarelli deve ser o novo titular do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) em substituição ao professor Luciano Coutinho.

A Folha apurou que o anúncio está previsto para esta sexta (9). A troca está sendo articulada entre a Casa Civil e a nova equipe econômica chefiada pelo ministro Joaquim Levy (Fazenda).

A pressão para que ele aceite o cargo no BNDES aumentou desde o início da semana. A preferência de Caffarelli é assumir o Banco DO BRASIL (BB), o que estava praticamente acertado.

Com a insistência da Casa Civil e da própria presidente Dilma Rousseff, o ex-secretário de Mantega ficou desconfortável para negar o pedido.

Caso seu nome seja confirmado, será o fim da era desenvolvimentista no BNDES.

Com carreira no BB, Caffarelli tem trânsito nos bancos privados, com quem o BNDES deverá estreitar parcerias para estimular financiamentos de obras de Infraestrutura.

Caffarelli chefiou a área de atacado do BB, além de cartões e internacional. O financiamento de Infraestrutura é o tema que ele mais se aprofundou nos últimos anos.

Foi ele quem negociou com o BNDES e com os bancos privados as participações nas Concessões, além dos socorros ao setor elétrico no ano passado.

O atual presidente do BB, Aldemir Bendine, também participa do processo de transição no Banco.

Com Caffarelli no BNDES, Alexandre Abreu, atual vice-presidente de varejo do BB, deve assumir a presidência do Banco. Ele ganhou a confiança da presidente Dilma em 2012, quando montou a estratégia do corte dos juros do BB, forçando as demais instituições privadas a também baixar suas taxas, como queria o governo.

Na CAIXA ECONÔMICA FEDERAL (CEF), o comando deverá ficar com a ex-ministra Miriam Belchior (Planejamento), que terá como prioridade a abertura de capital do Banco, como antecipou a Folha .

NOVO RUMO

As mudanças na Caixa estão alinhadas com uma nova diretriz em discussão no governo para a gestão de bancos públicos, empresas estatais e até suas fundações.

A ideia é criar um código de administração pública para dar mais transparência que dificulte o uso político dessas instituições e escândalos de corrupção, como o que consome a Petrobras.

Nas fundações de estatais, como a PREVI (dos funcionários do BB), a Petros (da Petrobras) e a Funcef (da Caixa), o governo também procura nomes capazes de conduzir essa nova política. A nova equipe econômica quer ter uma participação mais técnica em empresas em que as fundações têm assento no conselho, como Vale e Petrobras.

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