DF lidera piora fiscal, diz BC

CORREIO BRAZILIENSE – DF | ECONOMIA
ANTONIO TEMÓTEO

Desajuste de governos regionais chega a R$ 57 bilhões. Após eleições, capital federal passa de superavit para deficit
A falta de rigor na gestão das contas públicas não ocorre apenas no governo federal. Estados e municípios acumularam um deficit nominal de R$ 57,6 bilhões no período de 12 meses encerrado em novembro. Considerando os 26 estados e o Distrito Federal, em 19 unidades da Federação houve aumento do rombo, queda no superavit primário ou inversão de desempenhos positivos para negativos, na comparação com outubro. Especialistas destacam que boa parte dos resultados piorou logo após o período eleitoral, indicando que o descontrole fiscal é generalizado no país.

O exemplo mais emblemático é DF. A capital federal acumulava superavit de R$ 148 milhões até outubro e, no mês seguinte, passou a ter deficit de R$ 791 milhões. Proporcionalmente, foi a maior reversão entre as 27 unidades da Federação. O rombo nas contas do governo distrital corresponde a 4,6% das receitas líquidas correntes. O Correio procurou a Secretaria de Fazenda do DF, mas a pasta informou que não se pronunciaria sobre o fato. O chefe adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Fernando Rocha, comentou que o resultado é representativo. Entretanto, informou que não tem elementos para detalhar o que levou a uma virada significativa em prazo tão curto.

Um dos maiores deficits nominais foi apurado no Rio de Janeiro. O rombo chegou a R$ 13,8 bilhões, valor equivalente 17,8% das receitas correntes líquidas. Em São Paulo, as contas no vermelho ultrapassaram os R$ 21 bilhões. No Amapá, o rombo é de R$ 1,1 bilhão e corresponde a 21,5% das receitas. Por outro lado, em Roraima, em Rondônia e em Sergipe houve aumento de superavit.

Eleições

Para o professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB) Newton Marques, em ano de eleições, governadores deixaram de lado de o rigor com as contas públicas para tentar a reeleição ou fazer o sucessor. Segundo ele, durante esses processos é comuns o aumento de gastos na tentativa de arrebanhar eleitores. “Somado a isso, tivemos um ano ruim para a economia e a arrecadação de tributos em todas as unidades da federação despencou. A situação piorou muito e é preocupante”, comentou.

Marques ainda detalhou que o Congresso Nacional e as assembléias legislativas estaduais precisam criar normas para responsabilizar gestores públicos pela falta de controle nas contas públicas. “Quando um governador e um secretario forem presos por deixar um rombo nos cofres públicos, essa situação mudará”, afirmou.

Na opinião do especialista em finanças públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV) Gabriel Leal de Barros, os prejuízos acumulados pelos estados mostram que o problema nas contas públicas não são exclusivos do governo federal. Barros apontou que os ajustes fiscais precisam ser estendidos a estados e municípios para que as unidades da Federação não passem, no futuro, a arrecadar apenas para pagar salários do funcionalismo. “O desafio é grande porque a margem para cortes e ajustes é pequeno”, disse.

Dívida vai a 63% do PIB

O governo gastou R$ 264,1 bilhões com o pagamento de juros da dívida nos 11 primeiros meses de 2014. O resultado é o pior desde o início da série histórica do Banco Central, em 2001. Com isso, a dívida bruta do setor público, em novembro chegou a 63% do Produto Interno Bruto (PIB), proporção mais elevada desde outubro de 2009. O cenário pode se tornar ainda mais sombrio: nas expectativas do BC, o indicador chegará a 63,3% em dezembro, o que seria o patamar mais elevado da história.

Os gastos com juros foram puxados pelo aumento da inflação, avaliou o chefe sadjunto do Departamento Econômico do BC, Fernando Rocha. “Em relação aos juros da dívida pública, 2014 apresentou aumento, na comparação com o ano passado, nos principais indicadores que indexam a dívida, como a taxa básica de juros (Selic) e o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)”, comentou.

Alternativas

Com o baixo crescimento da economia, a dívida bruta tende a continuar em alta, no entender do especialista em contas públicas da Tendências Consultoria Bruno Lavieri. Para que o indicador inicie trajetória de queda é preciso elevar o superavit primário. “Além disso, o governo pode reduzir subsídios se aumentar ainda mais a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) para diminuir o prejuízo que tem ao captar recursos no mercado, repassá-los a bancos públicos e receber menos como pagamento”, detalhou. (AT)

323394754216250244.jpg

Anúncios

Sobre Blog dos Bancários

Bancário
Esse post foi publicado em Noticias. Bookmark o link permanente.