Alinhar o Banco do Brasil às políticas públicas

  • 23 Dezembro 2014


O Banco do Brasil se constitui como instrumento de promoção de políticas públicas e desenvolvimento do país. Mais que um banco comercial, que tem a maior capilaridade entre todos os bancos, sua atuação tem sido utilizada para corrigir rumos e tendências do dito mercado, a exemplo do que aconteceu na maior crise financeira da história, em 2008, quando o BB interviu no mercado bancário liberando crédito e garantindo maior estabilidade na economia, sob controle e orientação do Governo Federal.

Contrário a este quadro, a atual gestão do BB, com a concordância e complacência do Governo Federal, está proporcionando um momento perverso na sua história, que é o de resgatar o relatório da Consultoria Booz Allen & Hamilton do fim da década de 1990, que propunha a preparação do Banco para privatização. Entretanto, o que ela propunha está sendo implementada no governo do PT.

A consultoria destacava a necessidade de reforma dos bancos federais devido à deterioração dos seus números, partindo da premissa de que o lucro era a questão central na atuação das instituições. Propunha o repasse da gestão do crédito rural ao Tesouro Nacional, cuja operacionalização passaria a ser realizada pelos bancos privados. No BB ficariam as atividades rentáveis, para torná-lo mais competitivo, despertando o interesse de aquisição pelo setor privado. O papel de banco público, alavancador do emprego e da renda, garantidor do crédito para os pequenos não estava no foco.

No governo Lula, a dimensão social do BB, a inclusão bancária, os projetos de Desenvolvimento Regional Sustentável e o fortalecimento da Fundação Banco do Brasil tiveram uma atenção especial. Atualmente, essas iniciativas estão subordinas aos lucros da instituição.

E, como preconizava a consultoria, o BB vem segregando os ativos rentáveis e sem apelo público e social, das atividades de natureza social. As atividades com grande apelo comercial estão sendo transferidas para a gestão privada, como aconteceu com a área de Seguridade e agora está sendo feita com cartões de crédito e de débito. A BBDTVM poderá ser a próxima e assim estaremos preparando o banco para privatização no futuro.

Reforçando esta compreensão, a mudança recente da missão do Banco de “… cumprir sua função pública com eficiência…” para “… ser um banco de mercado com espírito público…” deixa clara a ideia de preparar o Banco para a privatização.

Os edifícios Sede I e Sede III, símbolos do BB como banco público, foram vendidos. Qual o significado da privatização desses símbolos no imaginário da população?

Diretoria do Sindicato dos Bancários de Brasília
Militantes de base: “O BB que nós queremos”

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