Nova equipe de Dilma indica arrocho fiscal

NADA COMO UM DIA APÓS O OUTRO. A PROPRIA ESCOLHA CONFESSA QUE A ECONOMIA, AO CONTRARIO DA MENTIRA ELEITORAL, VAI MUITO MAL…

CORREIO BRAZILIENSE – DF | ECONOMIA
» PAULO DE TARSO LYRA» ROSANA HESSEL

Ao optar por Joaquim Levy na Fazenda, definir Nelson Barbosa no Planejamento e manter Alexandre Tombini no BC, a presidente sinaliza que pretende arrumar as contas públicas para resgatar a confiança e tentar tirar a economia do atoleiro

A presidente Dilma Rousseff cedeu aos apelos do mercado e admitiu ontem que precisa mudar urgentemente a política econômica para evitar um segundo mandato desastroso. Depois de muito relutar, escolheu Joaquim Levy, hoje diretor da Bradesco Asset, para suceder Guido Mantega no Ministério da Fazenda. Levy tem um pensamento econômico totalmente oposto ao que prevaleceu nos últimos quatro anos e que levou o país à recessão e a conviver com inflação no teto da meta, de 6,5%.
Como era de esperar, Dilma decidiu criar um contraponto à linha ortodoxa de Levy, comparada à de Armínio Fraga, que seria o ministro da Fazenda caso Aécio Neves fosse o vencedor nas últimas eleições. Ela chamou Nelson Barbosa para o Ministério do Planejamento. O economista foi secretário executivo da Fazenda e criou laços importantes com a presidente ao participar da elaboração de programas como o Mina Casa, Minha Vida. O trio que comandará a economia a partir de 2015 será completado por Alexandre Tombini, mantido na presidência do Banco Central.
O anúncio oficial da nova equipe será feito na próxima quarta-feira. A expectativa, alimentada pelo Palácio do Planalto, era de que a divulgação ocorresse ontem. Mas Dilma não conseguiu fechar todos os nomes para a economia. Estão pendentes os ocupantes do Tesouro Nacional – não há a menor possibilidade de Arno Augustin permanecer no posto, devido aos truques contábeis que minaram a confiança nas contas públicas – e dos bancos públicos, esses ambicionados por políticos.
Independentemente da frustração com a falta do anúncio oficial, os investidores aprovaram as escolhas de Dilma. A expectativa é de que, mesmo a contragosto, a presidente sancione um ajuste fiscal mais forte em 2015 para evitar que a economia degringole de vez. No Planalto, a percepção é de que não há como fugir. Será preciso "puxar o freio" em 2015.
Segundo interlocutores palacianos, há uma percepção clara de que "a largada necessita ser forte e precisa". A presidente entrega a ela mesma um quadro bem diferente do herdado em 2010, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou o bastão com avanço de 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Na melhor das hipóteses, o crescimento de 2014 será de 0,2%.
O perfil conservador de Levy, que integrou o governo Fernando Henrique Cardoso e foi secretário do Tesouro na gestão de Antonio Palocci à frente da Fazenda, também agrada a Lula, que tem defendido mudanças de rumos na economia. Depois do susto vivido na eleição presidencial, quando Dilma foi reeleita com uma margem de apenas 3 milhões de votos, Lula sabe que, se a economia patinar por mais quatro anos, a oposição se fortalecerá para encerrar o ciclo petista no governo.
Indefinição nos bancos
Tudo estava pronto para que o anúncio fosse feito ontem. A dúvida, até então, era se os nomes seriam divulgados antes ou depois do término do pregão da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Os rumores sobre os nomes fizeram com que o Ibovespa cravasse alta de 5,02%. Mas, no fim do dia, Dilma ordenou à assessoria do Planalto que suspendesse o anúncio de qualquer ministro, incluindo os dois futuros titulares das pastas da Agricultura e do Desenvolvimento, Kátia Abreu e Armando Monteiro Neto, respectivamente.
Alguns pontos emperraram o anúncio de ontem. O principal deles: a indicação de nomes para os bancos públicos – Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Levy quer ter autonomia para indiciar os executivos dessas instituições, mas enfrenta resistências e lobbies partidários e de pessoas que já ocupam cargos na equipe econômica.
Para o Banco do Brasil, os cotados são Paulo Rogério Caffarelli, atual secretário executivo da Fazenda; Alexandre Abreu, atual vice de Varejo da instituição, defendido pelo atual presidente, Aldemir Bendini; e Aldo Mendes, diretor de Política Monetária do Banco Central, apoiado por Alexandre Tombini.
Na Caixa Econômica Federal, Levy enfrenta o lobby do governador da Bahia, Jaques Wagner, que pleiteia a manutenção do também baiano Jorge Hereda, apesar de todos os problemas provocados por ele no episódio que culminou com a corrida de beneficiários do Bolsa Família às agências bancárias. Dilma confia em Hereda para conduzir a Caixa, Banco essencial para o financiamento do Minha Casa, Minha Vida.
No caso do BNDES, responsável pela polêmica política de escolha de grupos empresariais vencedores, a tendência é de que Luciano Coutinho permaneça por mais um ano, apesar do descontentamento de Dilma com os pífios resultados dos empréstimos no resultado final do PIB.
Pressão da LDO
Aliados da presidente também atribuíram o adiamento do anúncio da equipe econômica à polêmica tramitação da proposta de alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2014 que extingue a meta de superávit primário (economia para o pagamento dos juros da dívida pública). Segundo eles, como há uma guerra com a oposição em torno do tema, seria melhor deixar a atual equipe econômica arrematar as negociações com o Congresso. A proposta deve ser votada novamente na segunda-feira na Comissão Mista de Orçamento (CMO).
Em clima de despedida de Brasília, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, recebeu a visita da mulher, a psicanalista Eliane Berger, e do filho, Marco, para uma visita ao Palácio da Alvorada no fim de tarde de ontem. A presidente Dilma acompanhou os três à capela de sua residência oficial. O substituto de Mantega terá, por sinal, o desafio hercúleo de recuperar a confiança dos empresários e dos investidores. Levy, para não ser pego de surpresa e poder aplicar seus princípios ortodoxos na política econômica, estaria negociando muito bem o espaço que terá para atuar no novo governo de Dilma.
O economista Tony Volpon, diretor para a América Latina da Nomura Securities, lamentou o adiamento do anúncio da nova equipe econômica, uma vez que o mercado financeiro reagiu bem às escolhas de Dilma. "Levy é bem conhecido como um ortodoxo e formulador de políticas pró-mercado, o que deve ajudar na difícil tarefa de ajustes na política econômica", disse. Na avaliação de Volpon, a nomeação de Levy seria fundamental para restaurar a confiança do mercado financeiro.
"Levy é bem conhecido como m ortodoxo e formulador de políticas pró-mercado, o que deve ajudar na difícil tarefa de ajustes na política econômica"
Tony Volpon, diretor para a América Latina da Nomura Securities
Grilo falante
Joaquim Levy, futuro comandante da equipe econômica, quer total controle sobre o Tesouro Nacional, órgão que ele comandou e onde é considerado por técnicos o melhor chefe que passou por lá. O fato, porém, do atual secretário, Arno Augustin, perder o posto a partir de janeiro de 2015 não indica que ele deixará de ter influência sobre Dilma. Ela o quer ao seu lado no Palácio do Planalto. O medo é de que Augustin continue interferindo na política fiscal e inviabilizado o ajuste das contas públicas.
Hamilton no Tesouro
» DECO BANCILLON
A que tudo indica, a mudança de rumos na próxima equipe econômica da presidente Dilma Rousseff tende a ser radical. Fontes ligadas ao Palácio do Planalto dão conta que o atual diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, poderia ser indicado para comandar o Tesouro Nacional, em substituição ao contestado Arno Augustin, tido como o mentor intelectual das manobras contábeis que resultaram na perda de credibilidade da política fiscal.
A indicação de Hamilton para substituir Augustin seria, portanto, uma sinalização de total mudança de rumos na política fiscal, hoje a área mais contestada da economia. Considerado o membro mais ortodoxo do Comitê de Política Monetária (Copom), ele sempre foi uma das vozes mais críticas sobre a matriz econômica do governo.
Há apenas uma semana, ele chegou a sinalizar que o BC poderá elevar a intensidade do aperto nos juros já em dezembro e se tornar ainda mais rigoroso no combate à inflação. Num discurso explosivo, Hamilton não deixou margem a dúvidas sobre os próximos passos da política monetária. "O BC não será complacente de forma alguma com a inflação", disparou, para emendar: "se necessário for, no momento certo, o comitê poderá recalibrar sua ação de política monetária".
Diferenças
Hamilton e Augustin têm perfis antagônicos. Enquanto o atual secretário do Tesouro possui uma postura mais leniente com os gastos públicos, o diretor do Banco Central é mais adepto da austeridade. Para ele, a política fiscal tem de ser coordenada como a monetária, de modo a reduzir a pressão sobre os preços e abrir espaço para que o BC não precise pesar a mão sobre os juros.
Hamilton tem 50 anos, é cearense de Sobral, formado em engenharia civil pela Universidade Federal do Ceará. Aos 36, já era mestre e doutor em economia pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Antes de ocupar a Diretoria de Política Econômica, foi chefe da mesa no Departamento de Operações do Mercado Aberto, entre 2000 e 2001, e diretor de Assuntos Internacionais, por dois meses, em 2010.
Perfis
Levy deve recuperar controle dos gastos
» SIMONE KAFRUNI
Indicação do presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, que recusou o convite de Dilma Rousseff para comandar o Ministério da Fazenda, Joaquim Vieira Ferreira Levy é bem- visto pelo mercado. Para especialistas, ele poderá recuperar a credibilidade das contas públicas, pois agrega capacidade, experiência e personalidade para fazer os ajustes necessários. Levy já chefiou a assessoria econômica do Ministério do Planejamento, no governo de Fernando Henrique Cardoso, e comandou a Secretaria do Tesouro no primeiro mandato de Lula, quando se notabilizou por controlar as despesas com mão de ferro.
"O Meirelles perto do Levy chega a ser desenvolvimentista em termos de gasto público", ironizou um parlamentar da base governista. A indicação foi comemorada pelos técnicos da Fazenda, informou uma fonte do Planalto. "Ele é um economista ortodoxo e alinhado com as diretrizes do Fundo Monetário Internacional (FMI)", disse.
Dilma Rousseff e Joaquim Levy se conheceram no início do governo Lula, quando a atual presidente ainda era uma estreante em Brasília e Levy assumiu o Tesouro por indicação de Pedro Malan, ministro da Fazenda de FHC, que o recomendou ao sucessor na pasta, Antonio Palocci.
Atualmente diretor superintendente do Bradesco Asset Management, braço de fundos de investimento do Banco comandado por Trabuco, o futuro ministro nasceu em 1961, no Rio de Janeiro, onde se formou em engenharia naval. Obteve doutorado em economia pela Universidade de Chicago em 1992 e mestrado em economia pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em 1987.
Iniciou a carreira em 1984 no Departamento de Engenharia da Flumar Navegação. Foi professor do curso de mestrado da FGV em 1990, antes de integrar os quadros do Fundo Monetário Internacional (FMI), no qual ocupou, de 1992 a 1999, cargos em vários departamentos, em particular nas divisões de Mercado de Capitais e da União Europeia. Atuou ainda como economista visitante no Banco Central Europeu (BCE).
Em 2000, foi nomeado secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, e, em 2001, economista-chefe do Ministério do Planejamento. Em janeiro de 2003, assumiu a Secretaria do Tesouro Nacional. Depois de deixar o governo, ocupou uma vice-presidência no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em 2006, e foi secretário da Fazenda do Rio de Janeiro no governo de Sérgio Cabral (PMDB).
Aval do mercado Na avaliação da economista Monica Baumgarten de Bolle, diretora da consultoria Galanto MBB, que trabalhou diretamente com Joaquim Levy, a nomeação dele para o Ministério da Fazenda dará maior credibilidade às contas públicas. "Ele é um profissional espetacular. Entende dessa área como ninguém. Por ser engenheiro, tem uma cabeça muito estruturada e organizada, e uma visão pragmática que não deixa margem para manobras contábeis. Com ele, não tem jeitinho", explicou. "A escolha tira da mesa a perspectiva de rebaixamento do país por um tempo. O mercado dará um fôlego para ver se ele terá a autonomia esperada para atuar", acrescentou Monica. "Levy é uma pessoa que adora desafios e tem convicções muito fortes. Não será convencido a fazer coisas erradas."
O economista-chefe da INVX Global Partners, Eduardo Velho, que atuou como adjunto de Levy no Ministério do Planejamento, também elogiou a indicação. "Ele é um executivo excelente, com experiência e um perfil técnico que agrada ao mercado. Levy tem preocupação com eficiência e dará uma contribuição muito forte, sobretudo, pela sua experiência na área fiscal", assinalou. Para Velho, a ida dele para a Fazenda é um sinal de que a política econômica terá mais autonomia.
Barbosa tem perfil desenvolvimentista
» ROSANA HESSEL
O economista fluminense Nelson Barbosa é bem-visto no meio acadêmico, especialmente, entre os desenvolvimentistas contemporâneos, que seguem a linha de pensamento dele e da presidente Dilma Rousseff. No mercado, porém, ele é visto com ressalvas. uma vez que, conceitualmente, defende a tese de que um pouco de inflação não é ruim, se isso ajudar o crescimento econômico. "Essa estratégia não funcionou no primeiro governo de Dilma, a economia está cambaleante", afirmou a economista da consultoria Tendências, Alessandra Ribeiro. "O Nelson não traz muita novidade para os rumos da política econômica atual", disse Monica Baumgarten de Bolle, diretora da consultoria Galanto MBB.
Doutor em economia pela New School for Social Research, de Nova York, Barbosa graduou-se em economia na Universidade Federal Fluminense (UFF), onde foi professor substituto entre 1993 e 1994. Fez mestrado em economia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da qual é professor titular licenciado. Desde o segundo semestre do ano passado, quando deixou o governo Dilma, leciona na Fundação Getulio Vargas (FGV) em São Paulo.
Quando esteve no governo, Barbosa ajudou a elaborar as medidas adotadas para combater a crise internacional, a partir de 2008. Participou também da criação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Minha Casa, Minha Vida. A carreira pública dele sempre esteve ligada à do atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, com quem trabalhou de 2003 a 2013, quando deixou o ministério por divergências com o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin. No fim de 2012, Augustin teve a ideia de sacar recursos do Fundo Soberano para compor o superavit primário (economia para o pagamento dos juros da dívida pública). A medida foi criticada por Barbosa, que, no entanto, foi voto vencido. O episódio acabou desgastando também a relação dele com Mantega.
Natural do Rio de Janeiro, Barbosa foi chefe adjunto da assessoria econômica do Ministério do Planejamento quando Mantega comandava a pasta, em 2003. Entre 2005 e 2006, foi assessor direto de Mantega na presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Após o estouro do escândalo do mensalão e da queda do então ministro Antonio Palocci, Barbosa seguiu com Mantega para a Fazenda, onde passou pelas secretarias de Política Macroeconômica e de Conjuntura, entre 2006 e 2007, e de Política Econômica (2008 a 2010). De 2011 a 2013, ocupou a Secretaria Executiva, segundo cargo mais importante da pasta.
Nelson Barbosa integra a corrente dos economistas keynesianos, adeptos das teorias do britânico John Maynard Keynes, conhecido sobretudo por prescrever a atuação firme do Estado para impulsionar a atividade econômica. As ideias de Keynes foram a base da estratégia colocada em prática em muitos países, notadamente nos Estados Unidos, para tirar a economia da grande recessão dos anos 1930.
Cavalo de pau "Barbosa é muito respeitado no meio acadêmico. É um dos economistas com maior destaque que atuaram no governo petista. Do ponto de vista teórico, é keynesiano, com boa formação de modelagem matemática, principalmente, trabalhando com modelos macroeconômicos de cunho keneysiano e estruturalista", disse o economista José Luis Oreiro, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e presidente da Associação Keynesiana Brasileira. Oreiro foi contemporâneo de Barbosa quando os dois eram professores substitutos na Universidade Federal Fluminense (UFF), em 1993.
Para fontes ligadas à base governista, a indicação de Barbosa para o ministério é positiva. A torcida é que, por ser menos ortodoxo nas contas públicas, ele faça um contraponto a Levy e impeça o governo da dar um "cavalo de pau" na condução da economia.
Tombini, ministro feito dentro de casa
» DECO BANCILLON
O gaúcho Alexandre Tombini, 50 anos, convidado pela presidente Dilma Rousseff a permanecer à frente do Banco Central (BC) no segundo mandato da petista, chegou a ser cotado para ocupar o principal posto da equipe econômica, o Ministério da Fazenda, por sua atuação considerada bem-sucedida à frente da autoridade monetária. No entanto, demonstrou pouco interesse em mudar de posição.
A decisão diz muito sobre quem é Tombini, um técnico aplicado no trabalho e reservado na vida pessoal, que sempre procurou manter-se longe dos holofotes. Formado em economia pela Universidade de Brasília (UnB), em 1984, ele fez toda a carreira no BC, onde ingressou por concurso público, em 1995.
A aplicação nos estudos deu-lhe a oportunidade de estudar fora do país. Tombini foi um dos primeiros latino-americanos contemplados por bolsa patrocinada pelo empresário Jorge Paulo Lemann para estudar economia na Universidade Urbana Champaign, de Illinois, nos Estados Unidos, onde concluiu o pós-doutorado, em 1991. Foi descrito como "um dos melhores alunos" por um dos professores de curso, o brasilianista norte-americano Werner Baer, pós-doutor por Harvard.
Da volta ao Brasil, galgou cargos importantes no governo. Foi coordenador de Análise Internacional no Departamento de Assuntos Internacionais da Secretaria de Planejamento, de 1991 a 1992, e coordenador-geral da Área Externa da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, de 1992 a janeiro de 1995, ano em que ingressou no BC. Com apenas 30 anos, já lecionava no curso de mestrado em economia da UnB.
Ataque A ascensão no BC também foi meteórica. Em quatro anos como servidor do órgão, Tombini foi indicado para a chefia do recém-criado Departamento de Estudos e Pesquisas, posição em que permaneceu por dois anos. Tão logo assumiu o cargo, em 1999, enfrentou forte pressão, porque, naquele ano, o Brasil sofreu um intenso ataque especulativo, que obrigou o governo a abandonar a chamada âncora cambial, que atrelava o valor do real ao dólar.
Depois disso, esteve diretamente ligado à implantação no Brasil do regime de metas de inflação, no período me que o BC foi comandado por Armínio Fraga. Os estudos para a adequação do Brasil ao sistema que já vinha mostrando sucesso em outros países foram feitos por uma equipe de jovens economistas liderados por ele. Colegas o descrevem como bem-humorado, calmo e de ótimo trato.
Ele ocupou cargos importantes no Banco durante os oito anos em que Henrique Meirelles presidiu a instituição, de 2003 a 2010, entre os quais o de diretor de Assuntos Internacionais e de Estudos Especiais, entre 2005 e 2006. Antes de se tornar presidente, em 2011, ocupou ainda a Diretoria de Normas e Organização do Sistema Financeiro, entre 2006 e 2010.
Apesar da vasta experiência técnica, Tombini precisou passar por uma preparação específica para assumir o comando do BC, em 2011. Os treinamentos consistiam em uma série de entrevistas, muitas delas de surpresa, em que era contestado por repórteres, para simular situações de tensão.

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