Olê olê olê olá Dilmá Dilmá: Cielo e BB negociam aliança na área de cartões que pode ultrapassar R$ 9 b i

O ESTADO DE S. PAULO – SP | ECONOMIA E NEGÓCIOS
Aline Bronzati

Cartões. Acordo, que ainda não foi fechado, colocaria gestão da área de cartões do Banco do Brasil, que domina quase um quarto do mercado nacional, nas mãos da Cielo; negócio repercutiu bem na Bolsa: ações das duas empresas fecharam em alta de mais de 2% ontem

O Banco do Brasil e a Cielo confirmaram ontem que negociam uma associação bilionária no setor de cartões. A aliança deve envolver, segundo fontes, o processamento e a emissão de plásticos, além da parte operacional. O valor da acordo pode ultrapassar a marca de R$ 9 bilhões.
O negócio, que deve sair em breve, colocou as ações da Cielo e do BB, que controlaaempre-sa ao lado do Bradesco, entre as maiores altas do Ibovespa no pregão de ontem. Os papéis da adquirente subiram 2,51% e do Banco avançaram 2,45% contra queda de 1% do principal índice da bolsa brasileira.
Para a Cielo, segundo fontes, a operação será positiva pois agregará receitas com comissões. Já o BB, além de reduzir de custos e ganhar eficiência, também melhoraria sua estrutura de capital. As conversas, contudo, não foram concluídas. Se aprovado este ano,o negócio engordaria o lucro do Banco e os dividendos deste ano, a serem pagos em 2015.
Os cerca de R$ 9 bilhões a serem pagos pela Cielo, segundo duas fontes,é um valor razoável pelo tamanho da estrutura de cartões do BB. De janeiro a setembro, a operação teve lucro líquido de R$ 1,5 bilhão. Sua participação de mercado é de 24,9%. Como base de comparação, o Itaú em 2013 anunciou a compra da Credicard, do Citibank, por R$ 2,8 bilhões. A empresa detinha 4% do mercado.
De acordo com fontes, ao distribuir mais recursos para seus acionistas, o BB ajuda o governo, seu controlador, a entregar um superávit primário maior neste exercício. Com o adiamento da divulgação da Petro-brás, os dividendos a serem pagos pelacompanhiaforam colocados em xeque. Por isso, o dinheiro do BB viria em boahora.
Frederic De Mariz, Philip Finch eMariana Taddeo, analistas do UBS, estimam em R$ 5,4 bilhões o impacto no lucro do Banco do Brasil caso o montante de R$9bilhões danegociação com a Cielo se confirme e nada mude na Elo BB cartões Participações. O montante corresponde aos R$ 9 bilhões líquidos de impostos e alíquota de 40%.
A operação depende também do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Os conselheiros da Cielo indicados pelo BB ficarão fora das discussões por estarem em "posição de conflito". Para ajudar o superávit primário, porém, o negócio teria de ser aprovado pelo Cade até dezembro. Segundo as novas regras do Conselho, fusões ou aquisições devem ser analisadas no prazo máximo de 240 dias, prorrogáveis por mais 90 dias.
Financiamento. Além de valor, prazo e detalhes ainda estarem sob sigilo, também é uma incógnita como será feito o pagamento deste negócio bilionário. A Cielo tem R$ 462,8 milhões em caixa. Portanto, uma das saídas seria captar recursos nos mercados local e externo. Quando adquiriu a americana Merchant e-Solutions (MeS), em julho de 2012, pagou US$ 670 milhões. Em paralelo, emitiu US$ 875 milhões no mercado externo, com prazo de 10 anos e retorno de 3,75% para fazer frente à parte da dívida, a menor taxa para uma empresa brasileira. O cenário agora é diferente, pois pesa sobre o preço dos bônus brasileiros a crise da Petrobrás.
Em fato relevante, a Cielo destaca que as negociações com o BB estão em linha com sua intenção de diversificar a receita em negócios relacionados a pagamentos eletrônicos e de maior eficiência operacional. Já oBB informa que estuda oportunidades para a expansão dos seus negócios de meios eletrônicos de pagamentos, bem como o incremento de sua eficiência

Gigante dos cartões

24,9%
é a participação de mercado que o Banco do Brasil tem atualmente no setor brasileiro de cartões

R$ 1,5 bilhão
foi o lucro gerado pela operação de cartões nos primeiros nove meses de 2014

R$ 5,4 bi
deverá ser o impacto positivo previsto no lucro do BB no quarto trimestre caso a operação seja fechada até dezembro

350 dias
é o prazo total para o Cade avaliar a operação

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