“Ministro-problema” para o governo se despede

O GLOBO – RJ | PAÍS
(Eduardo Bresciani)

-BRASÍLIA-

Em seu último dia no TCU, José Jorge pede ajuda divina contra racionamento

Ministro que mais incomodou o Palácio do Planalto nos últimos anos, José Jorge despediu-se ontem em sua última sessão do Tribunal de Contas da União (TCU) ao seu estilo. Aprovou um relatório sobre irregularidades no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), bloqueou o repasse de área de exploração do pré-sal para a Petrobras e cobrou do BNDES o envio de detalhes de contratos com o grupo JBS Friboi. Ainda incluiu em seu discurso de despedida a declaração de que São Pedro não seria suficiente para evitar que o país vivesse um novo racionamento, pedindo a intervenção divina.

A menção ao racionamento não é em vão. Ele era ministro de Minas e Energia em 2001 quando o governo Fernando Henrique Cardoso foi obrigado a adotar a medida. Descreveu a fase como seu pior momento em 47 anos de vida pública. Mas não perdeu a oportunidade der irônico e atacar o governo federal: – No setor elétrico, estamos nas mãos de Deus, porque São Pedro, sozinho, não vai resolver esse problema – disse.

Personagem que reúne, na descrição de amigos e adversários, os adjetivos de sério e bem- humorado, deixará o TCU na próxima segunda-feira, na véspera do aniversário de 70 anos. Nas homenagens que recebeu no plenário, uma história contada por um dos ministros mais próximos resume como os dois adjetivos não são antagônicos.

O ministro José Múcio contou que tinha um relatório de igual teor ao do ministro Raimundo Carreiro e pediu ajuda a José Jorge para que seu texto fosse aprovado. No início da sessão, porém, Jorge pediu vista do relatório de Múcio, impedindo sua aprovação, e apoiou o de Carreiro. Contando a história em meio a risadas, Múcio disse ter aprendido a lição e nunca mais fez esse tipo de pedido.

CRÍTICAS SOBRE A PETROBRAS

Rígido até com os amigos, Jorge virou um problema constante para o governo desde 2009 no TCU. Criticou manobras para reduzir as tarifas de energia e acusou o Planalto de desestabilizar o setor.

Levantou ainda diversos problemas de gestão na Petrobras. Conduziu com mão de ferro o processo relativo à compra da refinaria de Pasadena. Concordou em retirar a presidente Dilma Rousseff e os demais conselheiros da lista de responsáveis, mas resistiu à pressão para que os bens da presidente da Petrobras, Graça Foster, escapassem do bloqueio determinado a outros diretores.

Acabou derrotado em plenário, mas forçou, pela primeira vez na História, um advogado geral da União a usar a tribuna para tentar reverter uma decisão da Corte. O governo já trabalha um aliado para substituí-lo: o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), presidente da CPI da Petrobras, é o favorito.

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