Laranja liga doleiro a esquema dos créditos

CORREIO BRAZILIENSE – DF | POLÍTICA
» EDUARDO MILITÃO

Um depoimento e um contrato anexados à Operação Lava-Jato conectaram a investigação sobre desvios na Petrobras a suspeitas de irregularidades com créditos tributários “sem controle” no governo de Mato Grosso, parte delas feita por meio da petroleira. Os indícios apontam que, em pelo menos uma das apurações no estado do governador Silval Barbosa (PMDB), há personagens em comum com os fatos apurados pela força-tarefa do Ministério Público e da Polícia Federal no Paraná. Trata-se de um esquema paralelo de Youssef que começa a ser descoberto.

Na 13ª Vara Federal de Curitiba, Leonardo Meirelles, o laranja do doleiro Alberto Youssef, disse que foi orientado a receber R$ 9 milhões de créditos de ICMS irregulares do governo de Mato Grosso com empresas de energia e, depois, injetar parte dos recursos em outras contas. A operação com os créditos do governo de Silval Barbosa já era investigada pelo Ministério Público estadual, numa apuração que envolve a Petrobras, como mostrou o Correio ontem. Mas não se sabia da citação paralela a Youssef. “O que tem em comum? O crédito irregular. A Cemat (empresa de energia mencionada por Meirelles) e a Petrobras adquiriam os créditos que a administração criava por meio de legislação”, explicou a promotora Ana Cristina Bardusco da Silva.

No depoimento, em 20 de outubro, Meirelles apresentou um contrato de intermediação de créditos tributários. Segundo ele, o esquema era semelhante ao usado pela MO Consultoria para fazer desvios na Refinaria Abreu e Lima. Em 18 de dezembro de 2012, o Labogen, laboratório farmacêutico em nome de Meirelles, recebeu quase R$ 6 milhões da Dunax, empresa que havia fechado um negócio de R$ 79,5 milhões para intermediar créditos tributários entre cinco pequenas centrais hidrelétricas e a Cemat. Entre março e abril do ano passado, a Piroquímica, outra empresa dele, recebeu uma parcela de R$ 3,31 milhões. Segundo Meirelles, Youssef determinou que, dos valores recebidos pelo laboratório, quase R$ 4 milhões fossem usados para fazer depósitos e pagamentos de boletos a pessoas e empresas indicadas pelo doleiro.

Meirelles disse que os diretores das centrais hidrelétricas que assinam o contrato com a Cemat em maio de 2012 injetaram dinheiro na Labogen como investidores.

A promotora Ana Cristina Bardusco sempre desconfiou da necessidade de as centrais hidrelétricas usarem a Dunax – uma empresa que estava desativada e suspeita-se ser de fachada – como intermediária no negócio. Com o depoimento de Meirelles, a relação começa a se esclarecer. “A gente acraditava que a Dunax era usada para fazer alguma movimentação irregular de dinheiro.”

O advogado de Youssef, Antônio Figueiredo Basto, disse desconhecer o assunto. O advogado de Meirelles, Haroldo Nater, não esclareceu se o doleiro atuou em outros esquema com a Petrobras e os créditos suspeitos. “Você está no caminho certo”, limitou-se a dizer. A Petrobras e a assessoria de Silval Barbosa não prestaram esclarecimentos. A reportagem não localizou a Dunax.

Estados Unidos abrem investigação criminal

O Departamento de Justiça dos EUA abriu uma investigação criminal contra a Petrobras para saber se houve pagamento de propina para a empresa ou algum de seus funcionários nas operações americanas da estatal brasileira. A informação foi publicada pelo jornal britânico Financial Times. A Petrobras tem recibos de ações, os chamados ADRs, negociados na Bolsa de Valores de Nova York. De acordo com a reportagem, a investigação vai tentar descobrir se a Lei de Práticas Corruptas Estrangeiras foi violada.

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