PT quer Jaques Wagner na Petrobras

VALOR ECONÔMICO -SP | POLÍTICA
Raymundo Costa e Raphael Di Cunto De Brasília

Equipe econômica, Lava-Jato e partidos são prioridades da presidente, na volta das férias na Bahia
O Palácio do Planalto procura uma solução política para a sucessão na Petrobras e um dos nomes em análise é o do governador da Bahia, Jaques Wagner. O nome do governador é o preferido do PT, que vê em Wagner. autoridade política e moral para restabelecer a normalidade na estatal, virtualmente paralisada com os escândalos de corrupção objetivos de delação premiada na Operação Lava-Jato.

O destino do atual governador da Bahia deve ser decidido nos próximos dias, em encontro com a presidente Dilma Rousseff, atualmente em férias na base naval de Aratu, no litoral baiano.

Wagner saiu fortalecido das eleições, após eleger o sucessor, Rui Costa, numa disputa que parecia perdida até a véspera. Muito próximo a Dilma, seu nome também é cotado para a Casa Civil e para a Secretaria de Relações Institucionais (SRI) da Presidência, na hipótese de Dilma resolver fazer um roque entre os auxiliares do Palácio. Em Brasília ou no Rio, Jaques Wagner deve compor o chamado “núcleo duro” do novo governo da presidente Dilma.

A presidente pode desencadear a reforma ministerial após sua volta da Bahia. Se ouvir o expresidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente anuncia o nome do novo ministro da Fazenda já agora em novembro. O nome preferido de Lula é o de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central (BC) durante seus oito anos de governo. Para o expresidente, a indicação de Meirelles enviaria um sinal que seria bem recebido pelos mercados e daria tranquilidade para a presidente terminar o atual mandato e começar o próximo. Um sinal tão positivo quanto foi o aumento surpreendente da taxa de juros na quarta-feira.

Em um esforço para melhorar as relações com a base aliada, a presidente inicia na próxima semana reuniões com os partidos que a apoiam. A primeira agenda já foi marcada, com o PSD, para quarta-feira, às 11h30, com a presença da atual bancada de deputados federais e senadores, além dos eleitos, com os presidentes estaduais da legenda e com o presidente nacional, Gilberto Kassab, cotado para ocupar um ministério.

“Já senti sinais de que o governo está mais ciente de que precisa ter tratamento de mais diálogo com o Congresso, conversar mais. Parece que entendeu que nada nesta Casa anda sem acordo”, diz o líder do PSD na Câmara dos Deputados, Moreira Mendes (RO), que foi acompanhado dos ex-líderes Eduardo Sciarra (PR) e Guilherme Campos (SP) ao gabinete do ministro Ricardo Berzoini (PT), da Secretaria de Relações Institucionais, quando foi acertada a reunião com Dilma.

Conforme antecipou o Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, Dilma deve manter pelo menos 12 ministros da atual equipe. Outros devem ser promovidos, como seu exchefe de gabinete Giles Azevedo, que deve virar ministro, mas a pasta ainda não está definida.

Talvez Minas e Energia, cargo para o qual é cotada também a atual presidente da Petrobras, Graça Foster. Amiga da presidente, Graça não agrada o PT, que reclama dela, entre outras coisas, por causa da contratação de uma empresa americana de auditoria internacional, com amplo acesso a segredos empresariais da estatal.

O Valor PRO também revelou que Lula sugeriu uma lista com três nomes a Dilma. Os outros dois foram Luiz Trabuco, presidente do Bradesco, e o economistaNelson Barbosa, ex-secretárioexecutivo na Fazenda. Especulase que Trabuco e Meirelles estariam na lista apenas para dar um upgrade a Barbosa. Fontes do PT disseram ao Valor que não é o caso: Lula quer Henrique Meirelles.

O problema é que a presidente Dilma resiste ao nome do ex-presidente do BC. Ela até aceitaria se o ex-presidente Lula dissesse “eu quero o Meirelles”. Ocorre que Lula sugere os nomes mas não diz “eu quero este”. A presidente da República, afinal, é quem decide sobre seu ministério. A responsabilidade sobre o indicado é dela, exclusivamente.

Nem Lula quer se tornar devedor. No momento, ele se acha credor da reeleição da presidente.

No mercado financeiro avaliase que a nomeação de Barbosa seria “neutra”, pois, se ele não tem a confiança irrestrita de um Henrique Meirelles, por outro lado, desde que deixou o governo, tem dado curso a propostas de ajuste na política econômica que são bem vistas pelo mercado. Há dúvida sobre a capacidade de Barbosa atrair nomes de peso para sua equipe, especialmente para a Secretaria do Tesouro Nacional.

Seja como for, a solução para a área econômica do governo pode sair do litoral da Bahia, onde a presidente passa férias, uma vez que Lula, seu principal eleitor, acha que há pressa para uma definição de rumos.

No caso da Petrobras, Wagner não é um nome completamente estranho à estatal: é petroleiro e foi dele a indicação do ex-presidente da empresa Sérgio Gabrielli, que depois tornou-se secretário em seu governo. Mas ele não é o único nome em consideração.

Pela cúpula do PT já passou também o nome do ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil). O nome de Rodolfo Landim, ex-diretor da área de gás da Petrobras, também é considerado.

O líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO), também foi recebido por Berzoini e ficou com a promessa de um encontro da bancada de deputados federais com Dilma quando a presidente volta do descanso pós-eleições.

“O partido apoiou o Aécio [Neves, do PSDB], mas a bancada ficou do lado da presidente Dilma, e o Berzoini nos agradeceu esse apoio”, afirmou.

O PTB é um dos partidos que discute uma composição com o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), para a eleição de presidente da Câmara.

“Dez vez em quando o Eduardo tem atrito com o governo, mas é normal. A eleição para presidente da Câmara é assunto do Legislativo”, diz Arantes.

O pemedebista, que já mediu forças com o Palácio do Planalto em projetos importantes para o governo, foi lançado candidato pela bancada do PMDB na quarta- feira e iniciou as negociações para formação de um bloco que fortaleça sua candidatura.

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