Orçamento perderá até R$ 50 bi

CORREIO BRAZILIENSE – DF | ECONOMIA
» VICENTE NUNES» PAULO SILVA PINTO

Governo prepara pacote de cortes, inclusive de investimentos, para 2015. Novo ministro da Fazenda encontrará situação fiscal já decidida
Após a decisão do Banco Central (BC) de elevar a taxa básica de juros do país, o governo prepara um pacote de corte de gastos para eliminar entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões no Orçamento de 2015, incluindo investimentos públicos, o que deve exigir um esforço radical. A ideia é anunciar as medidas antes de 12 de novembro, quando o ministro da Fazenda, Guido Mantega, embarcará rumo a Brisbane, na Austrália, para participar da reunião de ministros do G-20, grupo de países desenvolvidos e emergentes.

“Será um corte importante de gastos. Mas os números ainda estão sendo fechados pela Fazenda”, disse um integrante da equipe econômica, lembrando que serão analisadas medidas com efeitos a médio e longo prazos.

Com os cortes, o governo pretende sinalizar um superavit primário do setor público de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015. Somente a União teria que fazer uma economia de 2% do PIB antes do pagamento de juros da dívida. Para este ano, a meta é de 1,9% no consolidado do setor público, mas a expectativa é de que não se chegue sequer a 1%.

Embora o Orçamento não esteja aprovado, o governo planeja anunciar os cortes imediatamente, em vez de esperar para contingenciar os valores depois da chancela do Congresso Nacional. Tampouco se pretende esperar pela indicação do novo ministro da Fazenda: ao chegar, ele encontrará a situação fiscal de 2015 já decidida.

Analistas de mercado se surpreenderam positivamente com a decisão do BC de elevar a Selic em 0,25 ponto percentual, para 11,25% ao ano, algo que não era esperado para antes da reunião de dezembro do Comitê de Política Monetária(Copom). A expectativa é de que as altas continuem até março de 2015, levando a Selic para 12% a 12,5%. Os economistas de instituições financeiras, no entanto, chamam a atenção para a necessidade de isso ser sucedido por medidas na área fiscal.

Para o economista-chefe do Banco Santander, Maurício Molon, é necessário que o governo consiga um superavit primário entre 2% e 3% para reduzir a relação entre a dívida pública e o PIB.A preocupação do mercado e do governo é evitar que o país sofra rebaixamento da nota pelas agências de classificação de risco. Se o Brasil passar a integrar o grau especulativo, o governo e as empresas terão custo muito mais elevado para se financiar.

Credibilidade

O estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, afirmou que providências sólidas na área fiscal poderão atrair nomes com credibilidade para o cargo de ministro da Fazenda. “A pessoa teria maior facilidade de deixar claro que só está aceitando a missão porque terá autonomia para trabalhar”, explicou. Além de implantar metas possíveis, o governo deverá demonstrar disposição de acabar com a chamada contabilidade criativa.

Na avaliação do economista Claudio Porto, presidente da Macroplan, será necessário mais tempo para ter certeza das boas intenções do governo. “O primeiro ano do atual mandato de Dilma foi de ajustes. Depois vieram três anos de gastança”, criticou.

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