É tempo de Wagner – PONTO FINAL

BRASIL ECONÔMICO – SP | PONTO FINAL
Octávio Costa

A eleição acabou, o Brasil vai voltando ao normal e os jornais dirigem a atenção para outros temas. Uma das pautas do momento envolve a especulação sobre o próximo ministro da Fazenda. A cada dia, surgem novos nomes na lista. Eis o cardápio mais atualizado: Nelson Barbosa, ex-secretário executivo da Fazenda, Aloizio Mercadante, ministro-chefe da Casa Civil, Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Bradesco, Murilo Ferreira, presidente da Vale, Otaviano Canuto, conselheiro do Banco Mundial, e Jaques Wagner, governador da Bahia. Uns são economistas, outros não, mas todos estão habilitados a assumir o cargo. A escolha é da presidente Dilma Rousseff, que promete anunciar a decisão antes da reunião do G20, marcada para 15 e 16 de novembro na Austrália.
De todos os nomes que circulam pelo mercado, o que causa mais estranheza é o de Jaques Wagner. Carioca, ele estudou engenharia na PUC-Rio e foi para Salvador depois de ser perseguido pela ditadura militar. No Polo de Camaçari, tornou-se dirigente sindical no setor petroquímico. Fundador do PT nos anos 80, aproximou-se de Lula, que só o chama de "Galego", por causa dos olhos claros (na verdade, Wagner é filho de imigrantes poloneses). Com a chegada do ex-metalúrgico ao Palácio do Planalto, assumiu o Ministério do Trabalho e depois as Relações Institucionais. Deixou o posto para se candidatar ao governo da Bahia em 2006 e foi reeleito em 2010, quando também teve participação destacada na primeira campanha de Dilma à Presidência. Além de frequentar o Palácio da Alvorada, costuma receber Dilma de forma calorosa em Salvador. A presidente não esconde a simpatia pelo governador e a primeira-dama da Bahia, Fátima Mendonça.
Este ano, o "Galego" marcou um golaço ao fazer de seu chefe da Casa Civil, Rui Costa, o novo governador da Bahia, num primeiro turno em que o PT foi muito mal na maior parte do país. No segundo turno, a Bahia voltou a se destacar ao contribuir com margem de 2,9 milhões de votos para a vitória de Dilma. Agradecida, a presidente interrompeu a série de entrevistas que deu na segunda-feira para receber em conversa informal, na biblioteca do Palácio Alvorada, os casais Wagner e Fátima e Rui Costa e Aline Peixoto. Logo, não resta dúvida. Jaques Wagner será ministro no segundo mandato de Dilma. Como a petista está preocupada em restabelecer as pontes com o empresariado, pode ser que o nomeie para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (o Mdic). Nos oito anos de governo da Bahia, Wagner atraiu para seu Estado empresas e investimentos do Brasil e do exterior. O Mdic parece um ministério sem muito charme, mas caberia ao experiente articulador temperar a pasta com sal e pimenta.
Outra possibilidade seria a chefia da Casa Civil, o mais poderoso dos cargos palacianos. Mas o titular hoje é o ex-senador Aloizio Mercadante, que comandou a máquina oficial enquanto Dilma esteve envolvida com a campanha eleitoral. No momento, ele está empenhado em alinhavar o programa econômico que será adotado pelo governo a partir de 1° de janeiro. Desde a primeira eleição de Lula, Mercadante, que é mestre em economia pela Unicamp, sonha com o Ministério da Fazenda. Se conseguir emplacar desta vez, ficará aberto o caminho da Casa Civil para Jaques Wagner. Com a benção dos orixás.

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