Barbosa é o mais próximo do estilo de Dilma

VALOR ECONÔMICO -SP | POLÍTICA
Claudia Safatle
De Brasília

Ex-secretário executivo da pasta, cogitado para a Fazenda, tem uma relação de confiança com presidente

Em um desenho ainda preliminar da face do novo governo, pelo menos 12 ministros poderão permanecer no segundo mandato, mas não necessariamente nos mesmos cargos.
Para o Ministério da Fazenda, entre todos os nomes já cogitados, o que mais se adequa ao estilo da presidente Dilma Rousseff é o do economista Nelson Barbosa, que foi secretário Executivo da pasta até meados do ano passado e secretário de Política Econômica no governo Lula. "Ele já a conhece e sabe em que pontos ela é turrona; e ela também já o conhece e sabe no que ele é turrão.
Mas ambos têm uma relação de confiança e isso é fundamental", explicou uma fonte qualificada do governo.
Por mais que Dilma possa ter mudado, ela não é uma outra pessoa e não deixará de interferir em áreas que lhe são muito caras como Minas e Energia e na economia, asseguram assessores.
Portanto, para ocupar o posto de ministro da Fazenda terá que ser alguém com quem ela tenha alguma liberdade e isso não ocorreria com nomes como o do presidente do Bradesco, Luiz Trabuco, ou de Henrique Meirelles Estas sugestões teriam o aval de Lula, que nunca escondeu sua preferência por Meirelles, embora saiba que Dilma não nutre simpatias pelo ex-presidente do BC.
Barbosa preencheria dois importantes requisitos: conhece Dilma e tem uma ligação forte com o ex-presidente Lula, ressaltou a fonte.
O ministro chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, segundo assessores da presidente, não é cotado para substituir Guido Mantega na Fazenda e uma das razões, salientam essas fontes, é que ele tem arestas no PT e não conta com a simpatia de Lula.
Alexandre Tombini só deixa a presidência do BC se quiser, pelo menos era a informação até ontem.
Sua continuidade, porém, não significa que ele poderia manter a mesma diretoria de hoje.
Há nomes que a presidência da República prefere ver substituídos.
O ex-governador da Bahia, Jaques Wagner, ficará em um cargo no Palácio do Planalto, próximo à presidente. Ele pode tanto ir para o lugar de Ricardo Berzoini, na Secretaria de Assuntos Institucionais, que assumiria outra pasta, ou para a Secretaria de Comunicação (Secom) hoje ocupada por Thomas Traumann, que não pretende permanecer no cargo.
Uma das possibilidades de Berzoini é substituir Paulo Bernardo no Ministério das Comunicações, que deve deixar o governo.
Depois de ser muito criticado pelo trabalho que fez no Tesouro Nacional, o secretário Arno Augustin deve sair do governo ou ocupar uma posição totalmente fora da área econômica. Hoje Arno deve anunciar o resultado das contas do Tesouro em setembro.
A expectativa é de que apareça um déficit primário.
É importante salientar que o secretário é muito amigo de Dilma e fez, na política fiscal, o que a presidente determinou que fizesse.
Os ministros que ficam no segundo mandato, segundo esse desenho preliminar, são: Luiz Alberto Figueiredo, do Itamaraty, Aloizio Mercadante, da Casa Civil; Miriam Belchior, do Planejamento, que, no entanto, trocará de pasta; Tereza Campello, do Desenvolvimento Social.
Manoel Dias pode continuar no Ministério do Trabalho se o PDT não indicar outro nome. Luís Inácio Adams permanece na Advocacia Geral da União (AGU) e Berzoini fica onde está ou ocupa outro Ministério.
César Borges deverá ser nomeado para um cargo mais robusto do que a Secretaria de Portos que ocupa hoje. Moreira Franco, Guilherme Afif e Eleonora Menicucci continuariam nos cargos de ministro da Aviação Civil, das Micro e Pequenas Empresas e Políticas para as Mulheres, respectivamente.
A presidente ainda conversará muito sobre a composição do ministério nos próximos dias, em que vai descansar no litoral da Bahia. Além de estar acompanhada de Jaques Wagner, não será surpresa se Lula for visita-la.
Para ocupar o Ministério das Minas e Energia, um nome que vem sendo lembrado é o do presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto, que presidiu a Cemig entre 1998 e 1999 e, é engenheiro elétrico e amigo do governador eleito de Minas Gerais, Fernando Pimentel e do empresário Walfrido dos Mares Guia.
O ex-presidente Lula, conforme informações de assessores da presidente, terá uma maior participação no segundo mandato, se comparado à pouca influência que teve no primeiro.
Isso não significa, porém, que o Palácio do Planalto atribua uma contribuição de Lula para a difícil reeleição de Dilma. O expresidente não teria sido decisivo nem mesmo nas duas semanas que antecederam o segundo turno, quando se dedicou a "desconstruir", por todos os meios, a imagem do candidato adversário, Aécio Neves, do PSDB.
Na avaliação da campanha da presidente, a participação de Lula foi muito modesta, menor mesmo do que a de Fernando Henrique Cardoso na propagando de Aécio Neves.
"Ela ganhou sem o Lula", disse um alto funcionário do governo, que participou da campanha e que lembrou que a votação de Dilma em São Paulo foi a pior da história do PT.

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