Executivo faz acordo de delação

BRASIL ECONÔMICO – SP | BRASIL
Nicola Pamplona

Citado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, Júlio Camargo vai colaborar com a Operação Lava Jato

Um dos executivos do setor privado citados pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, em depoimento à Operação Lava Jato, Júlio Camargo também decidiu negociar processo de delação premiada com a Justiça. Representante da empreiteira Toyo Setal, Camargo seria um dos contatos de Costa no esquema de pagamento de propinas em troca de contratos bilionários com a estatal. É o primeiro executivo citado pelo ex-diretor da Petrobras a aceitar colaborar em processo de delação premiada.

Camargo contratou a advogada Beatriz Catta Preta, que negociou acordo semelhante para Paulo Roberto Costa. Procurada pelo Brasil Econômico, ela preferiu não comentar o assunto. A Toyo Setal tem cerca de R$ 4 bilhões em contratos com a Petrobras, para a construção de unidades industriais no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e na fábrica de fertilizantes de Uberaba. Questionado sobre depósitos da empresa em contas do doleiro Alberto Youssef, Costa afirmou: “Sim, Julio Camargo. A Toyo Setal também participava da cartelização”.

O ex-diretor referia-se à formação de cartel por empreiteiras brasileiras, que teriam pago propina para obter contratos superfa-turados. Além da Toyo Setal, Costa citou as empresas UTC, Odebrecht, Queiroz Galvão, Galvão Engenharia, Andrade Gutierrez, Iesa e Engevix. As propinas seriam repassadas a representantes do PT, do PP e do PMDB. A Toyo Setal atua nos ramos de projetos industriais e de construção naval, por meio da Estaleiros do Brasil SA, em São José do Norte, no Rio Grande do Sul. Esta última, ainda em fase de implantação, tem contrato com a Petrobras para a fabricação da plataforma P-74.

Segundo fontes, Camargo teria assinado o acordo de delação premiada na semana passada. Ao aceitar colaborar com a Justiça, o executivo espera receber benefício da redução de pena. Costa, por exemplo, depois de ser preso duas vezes, hoje está em prisão domiciliar. Segundo o acordo que fez com a Justiça, terá sua pena reduzida caso confirme as denúncias feitas em seus depoimentos. Sua família também foi beneficiada e terá o direito de negociar acordos de delação separados. O ex-diretor da Petrobras foi preso em casa enquanto tentava destruir provas do esquema de corrupção.

Na segunda-feira, a Petrobras anunciou a contratação de duas empresas independentes de investigação para apurar as denúncias feitas por Paulo Roberto Costa. A empresa quer ainda recuperar eventuais valores desviados pelo esquema. Em apenas uma conta Bancária na Suíça, o ex-diretor tinha US$ 23 milhões. Ele se comprometeu a devolver cerca de R$ 70 milhões aos cofres públicos, entre dinheiro vivo e bens.

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Petrobras espera ouvir hoje o diretor de Abastecimento da estatal, José Carlos Cosenza, que assumiu o posto deixado por Paulo Roberto Costa. Cosenza deveria ter falado à comissão na última quarta-feira, mas encaminhou atestado médico no dia do depoimento alegando razões de saúde para não comparecer. A legitimidade do documento está sendo investigada pela CPMI.

O depoimento de Cosenza foi confirmado depois que o presidente da CPI mista da Petrobras, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), cancelou a participação de Yous-sef na sessão de amanhã. O doleiro foi convocado no último dia 21, mas sua defesa alegou que ele se manteria calado, para não quebrar o acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal e a Justiça Federal. com ABr

A Toyo Setal tem cerca de R$ 4 bilhões em contratos com a Petrobras, para a construção de unidades no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro e na fábrica de fertilizantes de Uberaba

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