Conselheiro da Previ deixa cargo na Usiminas Conflito societário

VALOR ECONÔMICO -SP | EMPRESAS

Ana Paula Ragazzi e Ivo Ribeiro De São Paulo

Wanderley Rezende de Souza, que representava o fundo de pensão PREVI no conselho de administração da Usiminas, entregou carta de renúncia ao cargo na noite de segunda-feira, apurou o Valor com fontes próximas da empresa.
O conselheiro não teria apresentado as razões para a sua decisão. No entanto, desde que a PREVI vendeu suas ações na siderúrgica – 10,2% do capital votante – para a Ternium, circulava entre pessoas próximas a tese de que não fazia mais sentido continuar com representante em seu nome. No entanto, não haveria nada que impedisse sua permanência no cargo.
Procurada, a PREVI afirmou que não houve pressão para que Souza deixasse o cargo. E ressaltou que, desde que foi eleito em assembleia, "sempre teve autonomia em sua atuação e liberdade para se posicionar e deliberar as matérias de acordo com o que julgava mais adequado, no melhor interesse da companhia".
A saída do conselheiro adiciona novos rumos à disputa societária na Usiminas, que é controlada pelos japoneses liderados pela Nippon Steel & Sumitomo e pelo grupo argentino Ternium/Techint. O conselho foi eleito em assembleia em dezembro por meio de voto múltiplo e por isso a renúncia de um conselheiro poderá levar à destituição de todo o órgão.
Pelo acordo de acionistas, Nippon e Ternium devem ter, cada um, três conselheiros. Mas, desde que comprou as ações da PREVI, a Ternium aumentou sua fatia na empresa para 38% do capital, enquanto a Nippon Steel ainda mantém 29,4%. Segundo o estatuto da Usiminas, a escolha do presidente do conselho é tarefa dos acionistas, em assembleia. Dessa forma, é possível que a Ternium, com mais poder de voto, consiga eleger novo presidente para o conselho da siderúrgica.
Nesse caso, Paulo Penido, que é representante da Nippon, deixaria o posto.
Os dois grupos estão guerra devido a desavenças sobre a forma de gestão da empresa. O afastamento de três executivos da Ternium – o presidente, Julián Eguren, e dois vice- presidentes – acirrou ainda mais os ânimos entre os dois controladores e foi parar na Justiça de Minas. A destituição foi aprovada no fim de setembro com voto de minerva do presidente do conselho, pois houve empate na votação.
A alegação é que cometeram violaram normas de compliance, com recebimentos indevidos de bônus.

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