Dilma decide buscar nome para Fazenda no mercado

FOLHA DE S. PAULO – SP | ESPECIAL

DE BRASÍLIA

Presidente só pretende anunciar novo ministro após definir outros postos da equipe

Um dia após ser reeleita, a presidente Dilma Rousseff viu o mercado financeiro reagir negativamente à sua vitória e indicou que buscará um nome com credibilidade entre os investidores para conduzir sua política econômica.
A presidente resiste à ideia de anunciar às pressas um sucessor para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que foi nomeado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e recebeu aviso prévio durante a campanha eleitoral, quando Dilma anunciou que ele não continuará no cargo.
A presidente prefere anunciar seu novo ministro depois que tiver definido os demais integrantes de sua equipe econômica, incluindo o Banco Central e o Ministério do Planejamento. Isso deve ocorrer até o fim de novembro.
A presidente fará a reforma de sua equipe disposta a rejeitar interferências de aliados e partidos políticos na definição dos postos principais e pretende descartar nomes que tenham se tornado alvo de suspeitas de corrupção.
Na lista de cotados para a Fazenda, surgiram nos últimos dias o ex-presidente do Banco do Brasil Rossano Maranhão, hoje executivo do Banco Safra, e o presidente do Bradesco, Luiz Trabuco, como informou a coluna Mônica Bergamo, na Folha.
Em entrevista à TV Record nesta segunda-feira (27), Dilma demonstrou incômodo com as perguntas sobre o assunto. Gosto muito do Trabuco, mas acho que não seja o momento e a hora de discutir nomes para o próximo governo , afirmou. No tempo exato, darei nome e perfil.
Assessores da presidente temem que ela enfrente dificuldades para recrutar nomes no mercado para a equipe, por causa do cenário desafiador na economia e do estilo centralizador de Dilma, que em seu primeiro mandato se impôs sobre a área econômica.
Na manhã desta segunda-feira, com as ações em queda e o dólar disparando, Mantega convocou entrevista coletiva para fazer um discurso otimista, em que interpretou o triunfo do PT como demonstração de que a população aprova a política econômica.
Ele disse que o governo prepara várias medidas de estímulo à indústria para tentar recuperar a atividade econômica, que deve registrar crescimento perto de zero neste ano. Uma série de estímulos já foi dada e outros estão em curso , afirmou.
Reservadamente, assessores presidenciais disseram à Folha que o tom do ministro foi equivocado. Para eles, o recado das urnas é que a população aprovou as políticas sociais do governo, mas fez ressalvas à política econômica.
Na visão desses assessores, o momento é de arrumar a casa, e o objetivo principal da equipe econômica deveria ser o ajuste das contas públicas, que estão no vermelho, para reduzir a inflação e evitar que o Brasil perca o cobiçado grau de investimento conferido pelas agências internacionais de classificação de risco.
Se o Brasil for rebaixado, o custo de captação de empréstimos no exterior ficará mais caro para governos e empresas, e os investimentos estrangeiros no país vão diminuir.
Em sua entrevista, Mantega prometeu um ajuste fiscal mais forte em 2015 para compensar o fraco desempenho deste ano, quando o governo não cumprirá a meta de economia para pagamento de juros da dívida pública.
Vamos continuar nos esforçando para aumentar a transparência da execução fiscal , disse o ministro, em linha com o discurso de Dilma, que no domingo prometeu seguir avançando no terreno da responsabilidade fiscal .

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