Bancos terão margens e rentabilidades menores

BRASIL ECONÔMICO – SP | FINANÇAS
Léa De Luca
Analistas preveêm que os resultados do terceiro trimestre continuarão bons, dado o cenário difícil; a volatilidade aumentou no período com eleições e a economia continuou fraca, configurando ambiente de crescimento menor

Os resultados dos bancos brasileiros no terceiro trimestre, que começam a ser apresentados no próximo dia 30 pelo Bradesco, devem ficar próximos dos resultados do segundo trimestre. A previsão é compartilhada pelo analista Carlos Macedo, da corretora do Banco Goldman Sachs, pelo presidente da Austin Rating, Erivelto Rodrigues, e pelo economista João Augusto Salles, especialista em analises do setor Bancário na corretora carioca Lopes Filho.

O Goldman espera lucro de RS 13,25 bilhões para Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander, ante RS 13,22 bilhões para os mesmos bancos no segundo trimestre. A carteira de crédito deve subir ligeiramente, de RS 1,62 bilhão para RS 1,66 bilhão.

“As margens, spreads e rentabilidade patrimonial anualizada devem registrar uma ligeira queda no trimestre, mas continuarão fortes, dado o contexto”, diz Macedo, em relatório. Segundo ele, a rentabilidade média deve recuar de 17,8% para 17,4% nesses quatro bancos enquanto os spreads, de 4,2% para 4,1% e as margens ficam estáveis em 5,8%. Com crescimento do crédito ainda desacelerando, acrescenta que, de forma geral, a atenção deve ser focada na qualidade dos ativos.

O analista do Goldman prevê que as margens líquidas de juros vão recuar em relação aos patamares verificados no segundo trimestre, mas a qualidade dos ativos deve seguir adequada, ou até um pouco melhor. “Com espaço para perseguir mais ganhos de eficiência, acreditamos que os ganhos dos bancos, embora menores, continuarão fortes”, diz. O Goldman analisou seis bancos: Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander, BTG e Banrisul. A Caixa Econômica fica de fora, pois a corretora somente considera os bancos com ações na Bolsa.

Para João Augusto Salles, da Lopes Filho, a inadimplência deve subir pelo desaquecimento da economia e desaceleração das Concessões de crédito, além da persistente inflação alta. “Maior inadimplência exige maior provisiona-mento, pelo risco maior”, diz. Ele lembra, ainda, que o ambiente eleitoral desfavorece a atividade. “Os guidances (previsões) dos bancos vem sendo reduzidos trimestre a trimestre”, diz.

Segundo Salles, a estratégia, em geral, tem sido defender balanços, os fundamentos de risco: “Defender a liquidez significa manter caixa elevado, manter o índice de Basileia mais folgada, em detrimento da rentabilidade”, explica. “O ambiente de incerteza atual recomenda mais conservadorismo nagestão financeira”. Por outro lado, lembra, as receitas com serviços – tarifas, cartões, cobrança e administração de fundos – estão “bombando”. “Além disso, os bancos podem contar com o reforço das receitas com tesouraria – as taxas altas ajudam”, diz. A Selic, que estava em 9% há um ano, está agora em 11% ao ano. O especialista da Lopes Filho espera um crescimento marginal dos resultados, algo ao redor de 4%, em relação ao segundo trimestre. “Resultados exuberantes no terceiro trimestre é carta fora do baralho; igual ao do segundo já estaria de bom tamanho”, prevê.

Erivelto Rodrigues, presidente da Austin Rating, também vê o terceiro trimestre como, no máximo, “mais do mesmo” – sua previsão é de um aumento de 10% nos lucros e de 10% a 12% no saldo das operações de crédito em relação ao mesmo período do ano passado, considerando a média do universo dos maiores bancos comerciais que acompanha.

Felipe Hirai, estrategista da área de ações para a América Latina do Bank of America Merrill Lynch, também prevê um aumento da inadimplência em 2015, quando o PIB deve crescer apenas 1%. Além disso, diz que a desaceleração das Concessões de crédito deve continuar, principalmente porque os bancos públicos, que estavam sustentando a oferta, colocaram o pé no freio também – seja por prudência fiscal, por estarem com balanços já muito comprometidos ou pelo esgotamento do espaço para crescer em crédito, pelo alto endividamento das famílias.

João Braga, ex-gestor da Credit Suisse Hedging Griffo (CSHG), diz que neste momento de indefinição o melhor é garimpar, dentro do setor financeiro, instituições que tenham vantagens “micro” – ele aponta o Itaú, por exemplo, com receitas crescentes em cartões. O Goldman também vê o Banco com chances de apresentar os melhores resultados entre seus principais concorrentes.

Com espaço para perseguir mais ganhos de eficiência, acreditamos que os ganhos dos bancos, embora menores, continuarão fortes nos balanços do terceiro trimestre ” Carlos Macedo Analista do Goldman Sachs

Espero espera um crescimento marginal dos resultados, algo ao redor de 4%, em relação ao segundo trimestre. Resultado exuberante no terceiro trimestre é carta fora do baralho “João Augusto Salles Economista, Lopes Filho

Anúncios

Sobre Blog dos Bancários

Bancário
Esse post foi publicado em Noticias. Bookmark o link permanente.