BB faz de site a gestão de projetos para o governo

O ESTADO DE S. PAULO – SP | ECONOMIA E NEGÓCIOS

Banco monta site de defesa do consumidor, cede pessoal a fundo de pensão e acompanha até programa de reforma de aeroporto

Murilo Rodrigues Alves
BRASÍLIA

Os serviços do Banco do Brasil se transformaram em solução barata para auxiliar o governo de Dilma Rousseff a so-correralguns programas considerados vitrines da gestão petista. No papel de Banco público, o Banco sempre atuou como braço do governo na operação da política econômica. Sob a gestão do presidente Aldemir Bendine, seguiu à riscaa cartilha do crédito farto e da redução dejuros para forçar os concorrentes privados a fazer o mesmo.
O leque de atribuições do maiorbanco do Paísficou ainda mais amplo na gestão Dilma. O Banco virou administrador de programas em áreas fora do crédito e dos serviços bancários. A instituição passou a desenvolver soluções tecnológicas para garantir algumas bandeiras da presidente, como a defesa dos direitos dos consumidores e a previdência privada do funcionalismo público.
Criação de site. O Banco do Brasil foi responsável por desenvolver a plataforma pela qual clientes e empresas tentam resolver conflitos de consumo. Pelo convênio com a Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor (Senacon) do Ministério da Justiça, o BB não cobrou nada para criar o site, uma espécie de "Reclame Aqui".
A plataforma tecnológica de informação, interação e compartilhamento de dados é monitorada pelos Procons e pela Senacon.
O Estado apurou que dez funcionários do BB trabalharam na plataforma por quatro meses, embora essa não fosse sua única atividade no período. Todos os principais concorrentes do BB, tanto públicos como privados, passaram a usar o site. A participação das empresas no consumidor.gov.br, lançado no fim de junho, é voluntária. Mas elas devem se comprometer a investir "todos os esforços disponíveis" para solucionar os problemas dos consumidores.
Fundo. A Fundação de PrevidênciaComplementar do Servidor Público Federal (Funpresp) não precisou criar uma empresa para processamento dos dados de seus participantes. O fundo usa a estrutura tecnológica e os funcionários da BB Previdência, empresa concorrente da Funpresp.
Por esse serviço, o Banco do Brasil recebeu R$ 650 mil até setembro deste ano, além de uma comissão pelo uso da Infraestrutura. A Funpresp deve virar uma gigantesca estatal Hoje, porém, tem patrimônio de R$ 93,5 milhões, volume bem inferior aos R$ 2,4bilhões da BB Previdência.
O Banco do Brasil também passou a ser responsável pela gestão financeira e acompanhamento dos programas de construção e reforma de 270 Aeroportos regionais, de 90 grandes Armazéns para aguarda de produtos agrícolas e 26 casas de apoio a mulheres vítimas de violência.
Somando esses três contratos, o Banco receberá R$ 276,6 milhões como remuneração. As tarifas são calculadas com base no valor integral dos custos, acrescido de margem de ganho de 6,4%, informa o BB. Como parte de sua atribuição, virou gestor dos recursos bilionários das obras e responsável porrea-lizar as licitações.
‘Diversificação". Em defesa da ampliação de suas atividades, o Banco argumenta que tem oportunidade de conhecer outras áreas, como Infraestrutura, além de conquistarnovos clientes. "A diversificação das atividades bancárias está na ordem do dia, para qualquer grande Banco, em qualquer país. A ampliação do escopo possibilita o aproveitamento de novas oportunidades negociais e a consequente geração de novas receitas", informou o BB,via assessoria de imprensa.
No caso do site da Senacon, o Banco alega que a solução ajudou a promover conciliação com os clientes para evitar conflitos na Justiça por ter uma rede maior, BB acredita estar mais exposto às ações dos Pro-cons. Sobre o uso do sistema da BB Previdência pela concorrente Funpresp, o Banco diz que, ainda que "não sejam relevantes", os valores recebidos são compatíveis com o porte e operfil do fundo. No futuro, afirma, quando a Funpresp for uma das gigantes do setor, haverá diluição dos custos para o Banco do Brasil.

Serpro diz não ter estrutura para ampliar serviços

• Estatal responsável pelo desenvolvimento e gestão tecnológica do governo, o Serviço de Processamento de Dados (Serpro) admite que sua estrutura não permite ampliar o atendimento a novos serviços, como aqueles assumidos pelo Banco do Brasil.
Nos últimos sete anos, houve aumento de funcionários e da capacidade de armazenamento dos dados, mas tudo foi dedicado a atender os principais clientes.
O presidente do Serpro, Marcos
Mazoni, diz que 2 mil novos funcionários foram incorporados ao quadro da estatal, que conta com 8 mil servidores na atividade final – 2 mil são responsáveis por atender a Receita. Outros 3 mil estão espalhados em postos físicos do órgão em todo o País.
"Estamos trabalhando a todo vapor com nossos clientes tradicionais. Nossa capacidade é limitada aos serviços que já prestamos", diz Mazoni.
Ficaria mais caro ao governo, segundo ele, desenvolver sites "simples", como o ‘consumidor. gov". A empresa tem como negócio a prestação de serviços em tecnologia da informação e comunicação para o setor público.
"Trabalhamos com informações estruturadas. Nossos produtos detêm uma base gigantesca de dados, que é preciso proteger", diz Mazoni.
O principal cliente do Serpro é o Ministério da Fazenda. O maior contrato é o da Receita Federal, de R$ 1,1 bilhão ao ano. O Tesouro Nacional paga R$ 280 milhões ao ano pelos serviços da estatal. Na lista dos contratos governamentais, estão ainda R$ 300 milhões do Ministério do Planejamento e R$ 100 milhões do Departamento Nacional de Trânsito.
Mazoni diz que os recursos para investimento aumentaram de R$ 80 milhões em 2007 para R$ 210 milhões neste ano./ m.r.a

Novos negócios

R$ 276 mi é quanto o BB receberá por contratos de gestão financeira de Aeroportos regionais, casas de apoio a mulheres vítimas de violência e Armazéns agrícolas

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