Seção #piadapronta : Dilma parte para ataque pessoal e acusa Aécio de uso da máquina

O GLOBO – RJ | PAÍS
FERNANDA KRAKOVICS – fernanda@bsb.oglobo.com.br
Presidente se referiu ao fato de candidato ter sido diretor da Caixa aos 25 anos

“Nunca virei vice-presidente da Caixa Econômica aos 25 anos. Todos os cargos que tive foram por meus méritos. Se tem aparelhamento, esse é um” Dilma Rousseff

Depois de prometer na TV que não faria ataques pessoais durante a campanha, a presidente Dilma Rousseff (PT) criticou o tucano Aécio Neves por ter assumido diretoria da Caixa Econômica Federal aos 25 anos. Para ela, Aécio foi beneficiado pelo “aparelhamento” da entidade. -CONTAGEM (MG)- Após afirmar em sua primeira propaganda de TV do segundo turno que não faria ataques pessoais, a presidente Dilma Rousseff acusou ontem o candidato do PSDB, Aécio Neves, de se beneficiar do “aparelhamento” da máquina pública ao ser nomeado, aos 25 anos, para uma diretoria da Caixa Econômica Federal. Foi uma tentativa de desqualificar as acusações da oposição de loteamento político da Petrobras em meio ao escândalo de corrupção na empresa.

– Eu nunca virei vice-presidente da Caixa Econômica aos 25 anos. Todos os cargos que tive foram por meus méritos. Se tem aparelhamento, esse é um – afirmou Dilma, primeiro em entrevista coletiva e, depois, em ato com lideranças políticas, ambos em Contagem (MG).

Após a morte do presidente Tancredo Neves, Aécio, seu neto, foi nomeado para uma diretoria da Caixa, em 1985. No ano anterior, ele havia se formado em Economia. A campanha do PSDB, em nota, acusou Dilma de ter feito “toda a sua vida através da ocupação de cargos por indicação política”, mas diz que Aécio tem “30 anos de atividades exercidas sempre por delegação do povo”.

“A candidata Dilma Rousseff deveria respeitar mais a inteligência dos brasileiros e o nível da campanha eleitoral. Sem conseguir explicar por que nomeou e manteve Paulo Roberto Costa e outros diretores suspeitos na Petrobras, tenta atacar os adversários com denúncias infundadas, de 30 anos atrás”, rebateu Aécio, em nota divulgada por sua campanha. Segundo o texto, o senador “desempenhou o cargo por cerca de um ano com a mesma competência e integridade que marcaram sua passagem por outros cargos públicos, ao contrário dos indicados no governo Dilma”.

PETROBRAS: PUNIÇÃO, “DOA A QUEM DOER”

As acusações de que havia um esquema de desvio de dinheiro na Petrobras para PT, PMDB e PP são a principal preocupação da campanha petista. Sem esconder a irritação, Dilma voltou a dizer que a divulgação de trechos dos depoimentos do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Yousseff – que classificou de “vazamento seletivo” – tem objetivo “eleitoreiro” e que há “manipulação”. Quanto ao escândalo da Petrobras, disse que, se as acusações forem comprovadas, as pessoas serão punidas.

– Vazamento seletivo durante campanha eleitoral tem uma característica eleitoreira – afirmou Dilma. – Eu sou a favor de, doa a quem doer, as pessoas têm que responder pelo que fazem, seja de que partido seja, seja ligado a quem, tem que explicar as coisas. Agora que se faça divulgação ampla, geral e irrestrita. O que considero incorreto é que as provas e as denúncias não estão sendo encaminhadas direito nessa fase. Para se divulgar, divulgue-se tudo, para vermos todos os envolvidos. Para, depois da eleição, a gente não ter a surpresa de ver que denunciantes da véspera eleitoral são parte da denúncia. Ou não se manipula esse processo e abre todas as informações, ou se usa com grande prejuízo da democracia brasileira (sic).

A presidente disse ainda que não vai demitir ninguém sem provas, o que seria, segundo ela, “medida demagógica pré-eleitoral”. Um dos citados nos depoimentos é o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, indicado para o cargo pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Machado nega as acusações: – Não posso condenar ninguém sem prova. Não tomo esse tipo de medida demagógica pré-eleitoral.

Durante a agenda de campanha em Minas, estado que Aécio governou durante dois mandatos, Dilma fez ainda outro ataque ao tucano. Ao dizer que não teme ser atacada pelo candidato do PSDB no debate da TV Bandeirantes, na próxima terça-feira, por causa do escândalo da Petrobras, acusou o adversário de mau uso do dinheiro público ao desapropriar terras de sua família para a construção de um aeroporto, perto de uma fazenda sua, em Cláudio (MG): – Eu não faço mau uso do dinheiro público. Jamais desapropriei um pedaço da fazenda de algum familiar meu. Jamais construí um aeroporto nessa fazenda e jamais peguei a chave desse aeroporto e entreguei para ser gerida por um familiar meu. (.) Não tem essa história de tentar explicar o inexplicável. Não é só uma questão de ser legal ou ilegal. Não é moral.

De novo, em nota, a campanha tucana rebateu, afirmando que o aeroporto de Cláudio foi construído de forma regular, como atestou a Procuradoria Geral da República. “Depois de tudo o que o Brasil está conhecendo sobre os porões do governo Dilma é compreensível o desespero que tomou conta da candidata”, disse o texto. Para os tucanos, o governo petista usou dinheiro público “para fazer obras secretas em Cuba e até hoje zomba dos brasileiros ao se recusar a explicá-las”.

Ao lado do governador eleito Fernando Pimentel (PT), Dilma questionou ainda as promessas do tucano de fazer investimentos em Saúde, se for eleito presidente, sustentando que ele não fez isso em Minas. Afirmou que o governo do PSDB no estado teve que fazer um termo de ajustamento de conduta (TAC) com o Tribunal de Contas do Estado (TCE) porque não cumpria o mínimo exigido pela Constituição para investimento em Saúde. Dilma também citou a “baixíssima cobertura” do Samu em Minas: – Qual a credibilidade do meu adversário para dizer que vai investir em Saúde, se quando pôde não fez?

A primeira atividade de Dilma na manhã de ontem, em Contagem, foi um percurso em carro aberto, o “Dilma Móvel”. Participantes cantavam, com o acompanhamento de um carro de som: “Ó Minas Gerais, quem conhece o Aécio não vota jamais”. Dilma foi mais votada do que o tucano no estado no primeiro turno das eleições. Realizada em uma região de comércio popular, o ato irritou pedestres devido à obstrução da calçada. Houve princípios de tumulto. Contrariadas, pessoas gritavam que não votariam em Dilma de jeito nenhum.

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