Banco teme que venda de suas ações para fechar as contas distorça seu valor

O GLOBO – RJ | ECONOMIA

Banco teme que venda de suas ações para fechar as contas distorça seu valor

Preocupada com risco de uma forte queda nas ações do Banco do Brasil, a cúpula da instituição tenta convencer o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a não usar os recursos do Fundo Soberano do Brasil (FSB) para fechar as contas de 2014. Pelo menos, não de uma única vez. A maior parte dos recursos do Fundo está aplicada em ações do BB e esses ativos terão que ser vendidos para reforçar o superávit primário (economia para pagar juros da dívida pública). O temor do Banco é que a operação distorça o valor das ações no mercado e afete a credibilidade da instituição, apesar de não ter impacto em seu balanço.

Técnicos do BB explicaram à Fazenda que “despejar” R$ 3,5 bilhões em ações no mercado seria considerado um movimento brusco, podendo reduzir o valor à metade. Por dia, normalmente são negociados R$ 200 milhões em ações do Banco. Mas segundo fontes, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, insiste na ideia e propõe como alternativa fazer venda escalonada em várias ofertas públicas. Mas isso não afastou a preocupação do BB.

A decisão está nas mãos do Mantega agora disse uma fonte. É ele quem tem de lidar com essas ideias que vêm do gabinete do Arno e que criam outros problemas.

Diante do impasse, os técnicos da Fazenda ponderam que o uso de recursos do FSB em 2014 é apenas uma possibilidade e não uma certeza, embora o relatório de receitas e despesas do quarto bimestre de 2014, divulgado na segunda, informe que serão usados R$ 3,5 bilhões do FSB para fechar as contas do ano.

FUNDO JÁ PERDEU COM PETR0BRAS

Segundo fontes, no relatório de receitas e despesas que será divulgado em novembro, depois das eleições, o governo poderá admitir que não terá condições de fazer o superávit primário prometido – R$ 99 bilhões, ou 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos), revisando paia baixo o valor. Com o baixo crescimento da economia, o esforço fiscal até julho é de apenas R$ 24,7

Caso decida usar o FSB, o governo vai praticamente zerar o saldo do Fundo, criado em 2008 com recursos excedentes do superávit primário. O patrimônio líquido dele é de R$ 3,8 bilhões, dos quais 90% estão aplicados em mais de 110 milhões de ações ordinárias do BB. Se o Fundo as vendesse hoje, a preço de mercado, registraria ganho de R$ 640 milhões, já que a cotação dos papéis está bem maior do que quando foram comprados. As ações custaram R$ 2,68 bilhões e hoje valem R$ 3,32 bilhões. Elas foram adquiridas em 2010 e 2012, a cotações de R$ 24,65 e R$ 23,66, e fecharam ontem a R$ 30.

Mas o FSB já amargou perdas em negócios semelhantes. Em agosto de 2012, em permuta com a União, o Fundo abriu mão de 51,8 milhões de ações da Petro-bras em troca de 48,1 milhões de papéis do BB. À época, a troca foi equivalente, já que os dois volumes de ações somavam R$ 1,14 bilhão. Mas considerando o valor das ações da Petrobras quando foram adquiridas, a operação representou uma perda de no mínimo R$ 398 milhões. O Fundo havia comprado as ações na faixa de R$ 30 e as trocou quando valiam menos de R$ 22. •

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