Negociação específica com o BB sobre igualdade e segurança não avança

1409611331rodada-negociao-bb--segurana-bancria-guina-ferraz.jpg

A rodada de negociação entre o Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Contraf-CUT e assessorado pela Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil, realizada nesta segunda-feira (1º), no Edifício Sede I, em Brasília, pouco avançou nos temas sobre igualdade de oportunidades e segurança bancária. O BB não apresentou propostas efetivas dos itens que constam na minuta de reivindicações.

Gedip

Antes do início das discussões dos temas previstos para esta segunda-feira, o Comando cobrou informações sobre as mudanças nos parâmetros de cobrança no programa de Gestão de Disciplina de Pessoal (Gedip). Com a alteração feita pelo banco, o valor mínimo passou para R$ 600,00. Anteriormente não havia valor mínimo de cobrança na Gedip. Segundo o BB, uma média de 80% dos processos do Gedip acabariam com essa mudança.

Os bancários cobram uma mesa específica sobre Gedip para debater os mecanismos de apuração de responsabilização pecuniária em casos de falha em serviço, onde tem acontecido cobranças indevidas, que são descontadas direto trabalhador por meio do processo automatizado. O movimento sindical reivindica a inclusão de um processo de defesa no Gedip.

PCMSO

O Comando Nacional reivindicou melhorias nos procedimentos do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO). Em municípios onde não existe a possibilidade de realização do exame, os representantes dos trabalhadores cobram a cobertura de custos de locomoção e abono do dia, se não houver o cumprimento do contrato do PCMSO.

Adicional de periculosidade e condições de trabalho

Vários funcionários do BB sofrem com condições adversas de trabalho em regiões que ficam mais expostas a condições com risco à saúde, como refinarias. O movimento sindical reivindicou a extensão aos bancários que trabalham nesses locais de risco o adicional de periculosidade conquistado pelos vigilantes em legislação específica.

Reformas nas agências do BB durante o horário de expediente com consequências à saúde dos trabalhadores e população continuam e o Comando denunciou essa prática.

“O adicional de periculosidade também deve ser garantido aos bancários, já que todos estão no mesmo ambiente e expostos a situações de risco. As peculiaridades do local de trabalho têm que ser consideradas”, destaca Rafael Zanon, diretor do Sindicato dos Bancários de Brasília e representante da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro Norte (Fetec-CUT/CN) na Comissão de Empresa.

Segurança bancária

O funcionalismo reivindica que todas as agências tenham todos os quesitos de segurança como porta-giratória com detector de metais e proibição do transporte de valores por bancários. Outro item da pauta específica é a atualização da indenização para funcionários que sofreram assaltos, sequestro ou extorsão. O Comando Nacional dos Bancários também tem discutido fortemente o tema na mesa de negociação com a Fenaban.

No Programa de Assistência às Vítimas de Assalto e Sequestro (Pavas), os dirigentes sindicais reivindicaram que os funcionários participantes tenham a opção de escolher a unidade de preferência para retornar ao trabalho.

Tratamento para vítimas de assédio moral e sexual

O Comando e a Comissão de Empresa propuseram a criação de um programa de atendimento posterior para as vítimas de assédio moral e sexual comprovados. Os negociadores não demonstraram disposição para avançar no tema com a justificativa de que já existem os Comitês de Ética do banco.

“Atualmente o BB tem uma postura de punicão nos casos de assédio sexual no que se refere ao assediador, mas queremos discutir a melhor forma de tratamento das vítimas. Os comitês de ética também não são instrumentos efetivos e têm baixa credibilidade devido a problemas como falta de reuniões e efetivo funcionamento. Há comitês que só tiveram a reunião da posse”, afirma Wagner Nascimento, coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB.

Igualdade de oportunidades

No tema sobre igualdade de oportunidades, o BB disse que não pode discutir a cláusula de concessão de licença-prêmio para todos os funcionários com a justificativa de que o Dest (órgão do Ministério do Planejamento que cuida das empresas públicas) não libera a implementação. De acordo com o banco, o departamento também não se
mostra disposto a avançar para férias de 35 dias para todos os funcionários com mais de 20 anos na carreira no banco, bem como para adiantamentos para os egressos de bancos incorporados (mesmo que não tenha aderido ao regulamento do BB.

A opção de uma identidade social com o nome que o bancário desejar é um avanço das mesas de negociação. O item beneficia bancários transsexuais e outros funcionários que preferem ser identificados por um nome diferente do que foi registrado.

O movimento sindical também pediu isonomia de direitos para os bancários que atuam no exterior, bem como a garantia de representação desses trabalhadores.

Avaliação

Para Wagner Nascimento, coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, “principalmente nos itens de isonomia percebemos um grande entrave da parte do banco, quando remete o problema a uma resolução do Dest, quando na verdade o próprio banco deveria se preocupar mais em ter nos seus quadros milhares de trabalhadores que têm direitos diferenciados e rebaixados, sejam estes pós-98 ou oriundos de bancos incorporados. Essas diferenças têm sido objeto de grande insatisfação dos funcionários”.

Próxima negociação

A próxima mesa de negociação específica tratará de remuneração e demais itens restantes da minuta específica e ocorrerá na manhã do dia 12 de setembro, em São Paulo.

Thaís Rohrer
Do Seeb Brasília, com informações da Contraf-CUT

Anúncios

Sobre Blog dos Bancários

Bancário
Esse post foi publicado em Noticias. Bookmark o link permanente.