Governo articula fundos de pensão brasileiros para compra de títulos da dívida argentina

Se não bastasse a questão do “Risco de Longevidade”, para surpresa geral surge uma nova, inusitada e inesperada ameaça ao patrimônio do nosso fundo de pensão: a aquisição de títulos da Argentina, ora em mãos de “fundos americanos cognominados “abutres”, conforme notícia abaixo transcrita.

Sobre a matéria, cabem inúmeros comentários. Mas, limitemo-nos aos seguintes pontos principais:

a) A oferta de negociação teria partido da PREVI, PETROS e BNDES;

b) O fundo “Postalis” não está incluído porque já contabiliza prejuízo com a Argentina;

c) Falharam as negociações de iniciativa de Bancos; os fundos de pensão, que não são entidades financeiras, pretendem ser mais profissionais?

d) A oferta dos fundos brasileiros é de 60 cents por dólar, quando a proposta da Argentina (rejeitada pelos “Abutres”) é de cerca de 30 cents;

e) Nessas condições básicas já pré-conhecidas, mesmo que a proposta de 60 cents seja aceita, já estará configurado um prejuízo de 50%, e ainda sem garantia de recebimento;

f) É de uma candura ofensiva a argumentação usada para justificar por que os fundos de pensão brasileiros querem negociar com os “abutres” (vide destaque e grifo no artigo abaixo), ora transcrita:

“Porque eles (os fundos proponentes) têm uma grande quantidade de títulos soberanos argentinos e também investiram em ações de empresas locais. Se a Argentina continuar em default e o acordo que o mercado espera que surja antes do fim do ano não for alcançado, então esses ativos financeiros desabarão gerando grandes perdas para os fundos”;

g) À vista de tais argumentos, cabe perguntar:

Fundos de pensão brasileiros estão investindo em títulos de outros países?
Se o fazem, o que os leva a isso?
Tais investimentos são “secretos”? Por que não se tem conhecimento deles?
As gestões de riscos dos fundos de pensão não levam em consideração o “risco Argentina” ?
Quem assegura que, mesmo com essa transação, a Argentina não continuará em “default”, ou seja, tecnicamente “quebrada” ?
Quem garante o pagamento dos títulos, se nem um Tribunal americano o conseguiu?
A quanto montam os investimentos sob risco de redução de valor?
A quanto montaria a perda resultante de tal redução de valor?
Que tipo de administrador financeiro arrisca mais dinheiro, com perda já assegurada de 50%, para tentar manter o valor de outros investimentos já em risco?
Tenho defendido a tese de responsabilização civil e criminal de diretores e conselheiros por gestão temerária, gestão fraudulenta ou por má gestão (gestão contrária aos interesses dos associados).

A meu ver, nenhum investimento se enquadrará melhor nessas “condições” do que a ora aventada, se concretizada.

Urge que os associados da PREVI pressionem as associações no sentido de impedir esse absurdo.

Cordialmente

Ebenézer

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