Caixa se nega a suspender gestão de desempenho

Na primeira negociação específica da Campanha 2014, dirigentes insistem que empresa tem de rever modelo que institucionaliza cobrança por metas individuais
São Paulo – A primeira negociação específica da Caixa Federal foi marcada por intenso debate em torno da GDP (Gestão de Desempenho de Pessoas) que vem sendo implantada de forma unilateral pela direção da empresa.

Na reunião ocorrida na quinta 21, em Brasília, os integrantes da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) expuseram denúncias de funcionários dos setores em que o modelo já foi implantado, entre elas: a institucionalização das metas individuais, a adoção de ranking para premiar quem tem melhor desempenho e o risco de descomissionamento. "Com essa política, a intensão da Caixa é promover concorrência entre os trabalhadores e submetê-los a ameaças de perda de função. Reforçamos que eles estão sobrecarregados no formato atual e que se mantiverem a GDP os casos de adoecimento vão aumentar. O correto é agilizar a convocação de concursados e aumentar o quantidade de pessoas por setor", afirma o diretor executivo do Sindicato Dionísio Reis, integrante da CEE.

Os representantes da Caixa afirmaram que a GDP abrange gerentes gerais e de filial e que apenas em 2016 chegará aos demais trabalhadores. "A reclamação parte de bancários nesses cargos. Além disso, há locais com funcionários, em outros cargos, sendo cobrados devido a esse formato de administração. Ou seja, a Caixa tem de rever esse processo", reforça Dionísio.

O banco negou a suspensão da GDP, mas se comprometeu a averiguar se a implantação está extrapolando a esfera gerencial.

Adicionais – Na reunião foi reivindicada a adoção do salário do empregado para cálculo dos adicionais de periculosidade e insalubridade. Atualmente a instituição faz a conta a partir do salário mínimo nacional.

A Caixa rejeitou a proposta, afirmando que esses direitos são pagos, por exemplo, a avaliador de penhor, baseados nas condições do local de trabalho e não aceita mudar a forma de remuneração.

Penhor express – Os dirigentes relataram o receio dos trabalhadores em relação ao espectômetro utilizado para a avaliação de joias. Também criticaram o desvio de função, pois essa atribuição está sendo destinada aos caixas das agências.

Os representantes do banco apresentaram documento técnico sobre o "penhor express", que será analisado. "Vamos insistir para que o banco aumente o número de avaliadores e que apenas eles manuseiem o espectômetro, caso fique comprovado que o aparelho não apresenta risco à saúde. Essa tarefa não pode ser repassada para o caixa que já está sobrecarregado para atender a elevada demanda das unidades."

Afastados – O banco público também não atendeu à reivindicação de que o empregado mantenha sua comissão durante seu afastamento devido a acidente de trabalho ou para tratamento de saúde.

Saúde Caixa – Em relação à utilização de superávit na melhoria do plano de saúde, a empresa se comprometeu a apresentar um plano de ação. Esse modelo será discutido com os representantes dos empregados no GT de Saúde e deverá ser apresentado até 15 de dezembro.

A empresa negou, no entanto, que o Conselho de Usuários deixe de ser apenas consultivo e ganhe o caráter deliberativo. "Vamos insistir nessa proposta. O Saúde Caixa é autogerido, com a contribuição dos beneficiários e da empresa. Ele vem sendo tratado como se fosse um departamento da instituição. É imprescindível mudar essa lógica para que os usuários tenham de fato participação na gestão", destaca Dionísio, acrescentando que atualmente o plano de saúde conta com 130 mil participantes, entre ativos e aposentados, e é responsável por cerca de 220 mil vidas.

Combate ao assédio moral – A Caixa propôs, além da manutenção do instrumento de combate ao assédio moral conquistado pela categoria, a criação de fóruns paritários regionais para discutir condições de trabalho, violência organizacional e estrutura dos setores. O objetivo é resolver as questões em cada localidade, com a participação do movimento sindical. Para isso haveria a implantação de um projeto piloto a partir de novembro. Os integrantes da CEE ficaram de analisar a proposta.

Segunda negociação – O fundo de pensão Funcef, questões dos aposentados e isonomia entre os empregados serão debatidos na rodada de negociação que ocorre em 29 de agosto.

Jair Rosa – 21/8/2014
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