Itaú estima que economia brasileira ficou estagnada no primeiro semestre

VALOR ECONÔMICO -SP | BRASIL

Por Arícia Martins

Goldfajn: Banco projeta encolhimento de 0,4% do PIB entre abril e junho

A equipe econômica do Itaú Unibanco avalia que a atividade ficou paralisada no primeiro semestre, com possibilidade de dois recuos seguidos do Produto Interno Bruto (PIB) trimestral, mas não vê essa trajetória como recessão técnica. Para o economista-chefe do Banco, Ilan Goldfajn, estagnação é o termo mais adequado para se referir ao desempenho da economia no período. Nas estimativas do Itaú, o PIB encolheu 0,4% de abril a junho sobre os três meses anteriores, feitos os ajustes sazonais.

Durante apresentação das projeções macroeconômicas do Banco, Goldfajn afirmou que a alta de 0,2% do PIB de janeiro a março pode se transformar em uma queda de 0,1%. Mesmo assim, evitou qualificar esse comportamento como recessão técnica. “Achamos que o segundo trimestre foi negativo e existe uma boa chance de que o primeiro seja revisto de positivo para pouco negativo, mas dada a margem de erro, pensarmos que a economia está estagnada é uma visão que eu acho correta”, disse.

Segundo o economista Caio Megale, as principais influências negativas para o PIB do segundo trimestre partiram da indústria e dos investimentos. Em seus cálculos, a atividade industrial diminuiu 2,2% no período, enquanto a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida das contas nacionais do que se investe em máquinas e construção civil) caiu 4,6%.

Parte da retração do PIB trimestral pode ser considerada temporária, afirmou Megale, já que o aumento de feriados provocado pela Copa do Mundo prejudicou a atividade em junho e indicadores antecedentes de julho mostraram uma reação parcial.

Os analistas do Itaú trabalham com uma leve recuperação no terceiro e no quarto trimestres, quando o PIB deve crescer 0,1% e 0,3%, respectivamente, sempre na comparação com o trimestre anterior, resultando em crescimento de 0,6% ao fim de 2014. Na visão de Megale, esse trajetória um pouco melhor não terá contribuição do consumo, mas sim da indústria e da formação de capital fixo. “Quando há uma queda muito forte, a produção tende a ter um repique posteriormente”, explicou.

Apesar do forte tombo projetado para a FCBF de abril a junho, o economista observou que a base de empresários que é cliente do Banco não está desistindo do Brasil. O que ocorre no momento, segundo ele, é um adiamento das decisões do investimento.

Para 2015, o Banco trabalha com alta de 1,3% do PIB. Segundo Goldfajn, esse cenário conta com alguns ajustes, como uma política fiscal um pouco mais restritiva. Sobre a inflação, o economista considerou que o risco de estouro do teto da meta em 2014 diminuiu, devido à queda dos alimentos e à expectativa que a atividade mais fraca contenha repasses nos preços livres. O Itaú estima que o IPCA vai subir 6,3% neste ano e 6,4% em 2015. As duas estimativas contam com reajuste da gasolina.

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