Prejuízo com importação e gastos com PDV derrubam lucro da Petrobrás

O ESTADO DE S. PAULO – SP | ECONOMIA E NEGÓCIOS
Antonio Pita / Mariana Durão-RIO /André Magnabosco-SÃO PAULO

Óleo e gás.Lucro da petroleira caiu 30% no primeiro trimestre, para R$ 5,39 bilhões; plano de demissões incentivadas teve impacto de R$ 1,6 bilhão no resultado e defasagem de preços de combustíveis no mercado interno ajudou a elevar endividamento da empresa

A Petrobrás amargou queda de 29,9% no lucro no primeiro trimestre, que fechou em R$ 5,393 bilhões, segundo balanço divulgado ontem. O resultado da companhia foi pressionado, principalmente, pelo impacto negativo de R$ 1,6 bilhão do Plano de Incentivo à Demissão Voluntária (PIDV). Também pesaram fatores como uma leve queda na produção e o prejuízo decorrente da defasagem de preços de combustíveis, represados para evitar impacto sobre a inflação.

O balanço reforçou a grande dificuldade da empresa em controlar o seu endividamento. Nos três primeiros meses do ano a dívida subiu mais de RS 40 bilhões,ultrapassando pela primeira vez a marca de RS 300 bilhões. A taxa de alavancagem se manteve em 39%, pelo terceiro trimestre consecutivo acima da meta estabelecida pela empresa, de 35%.

Apesar da queda no lucro, o resultado ficou acima das previsões do mercado, puxado pelo aumento das receitas no período, que ficaram em RS 81,5 bilhões.

O reajuste, em novembro, de 8% no preço do diesel e 4% da gasolina, aliviou as contas da companhia, mas não foi suficiente para evitar um prejuízo de RS 4,808 bilhões na área de abastecimento.

Com o consumo em expansão e as refinarias no limite da capacidade, a Petrobrás tem de importar mais combustível e sofre sem a compensação nos preços da gasolina e do diesel.

“Isso reflete a defasagem dos preços dos combustíveis ao longo do tempo, apesar do reajuste do fim do ano passado. E um desafio”, resume Nataniel Cezimbra, analista do BB Investimento.

Dívida. A defasagem do preço dos combustíveis no mercado interno também amplia o endividamento, e o elevado nível de alavancagem da Petrobrás preocupa. A relação entre a dívida e o Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações), alcançou a marca de 4 vezes. A média considerada saudável pela própria empresa é de 2,5 vezes o Ebitda, uma meta que só será alcançada a partir de 2015, de acordo com seu último plano de negócios.

Em comunicado ao mercado, a presidente da Petrobrás, Graça Foster, credita a piora do indicador aos gastos com o plano de 8 mil demissões. “O cálculo deste indicador de endividamento considera o Ebitda anualizado, trazendo, assim, um impacto expressivo neste trimestre”, destacou a executiva.

Segundo ela, em cerca de nove meses, os impactos do plano serão diluídos. O plano de demissões voluntárias integra o Programa de Otimização de Custos Operacionais, que no trimestre economizou R$ 24 bilhões. Para este ano, a meta é de RS 7,3 bilhões.

A empresa fechou março com RS 78,5 bilhões em caixa, resultado diretamente relacionado às duas captações realizadas no exterior, que geraram RS 53,9 bilhões. Segundo Graça Foster, esses recursos são suficientes para o financiamento dos investimentos de 2014.

A presidente da Petrobrás disse ainda ter confiança no alcance da meta de crescimento de produção de 7,5% neste ano. No primeiro trimestre, entretanto, houve queda de 2%. A expectativa para reverter o resultado, segundo ela, é a entrada em operação de novos campos.

Sob investigação. Nos comentários sobre o primeiro balanço do ano, Graça Foster mencionou as investigações em que a estatal está envolvida. “As denúncias apresentadas têm sido e continuarão sendo apuradas por meio dos mecanismos internos constituídos para tal”, diz a executiva na carta. No texto, ela reitera o compromisso da diretoria da estatal e de seus empregados com a ética e a transparência.

A presidente ainda citou as refinarias de Pasadena, nos Estados Unidos, e Okinawa, no Japão, envolvidas em denúncias de irregularidades na petroleira. Sobre Pasadena, a executiva afirmou que a unidade “continua processando acima de 100 mil bpd em função da disponibilidade de petróleo não convencional a preços competitivos.”

Mercado interno

O reajuste nos preços dos combustíveis, concedido de novembro, não livrou a área de abastecimento da Petrobrás de um prejuízo de mais de R$ 4,8 bilhões de janeiro a março.

Anúncios

Sobre Blog dos Bancários

Bancário
Esse post foi publicado em Noticias. Bookmark o link permanente.