Reeleição faz Dilma dar vice-presidência da Caixa Econômica a tesoureiro do PTB

O ESTADO DE S. PAULO – SP | POLÍTICA

Murilo Rodrigues Alves

Por mais quatro anos. Presidente nomeia dirigente do partido que já foi presidido por delator do…
Por mais quatro anos. Presidente nomeia dirigente do partido que já foi presidido por delator do mensalão para vaga de Banco estatal que tradicionalmente é ocupada pelo PMDB; com isso, governo espera receber adesão oficial do aliado e conter rebeliões na base

Murilo Rodrigues Alves

BRASÍLIA

Para assegurar o apoio do PTB à candidatura à reeleição, a presidente Dilma Rousseff entregou uma das vice-presidências da Caixa Econômica Federal ao partido, que já ocu­pava uma vaga na cúpula do Banco do Brasil desde junho do ano passado. A nomeação de Luiz Rondon Teixeira de Magalhães Filho, primeiro te­soureiro do PTB, para o cargo de vice-presidente corporati­vo do Banco, foi publicada on­tem no Diário Oficial da União.

O partido que já foi presidido pelo delator do mensalão, o de­putado cassado Roberto Jefferson – atualmente cumprindo pe­na de prisão pela condenação no caso não ocupa ministérios na Esplanada, mas já havia sido contemplado em junho com o cargo de vice-presidente de Governo do Banco do Brasil. A vaga era ocupada pelo atual presidente do PTB, Benito Gama, que dei­xou o posto para se candidatar a deputado pela Bahia.

Gama assumiu o comando do PTB após Jefferson pedir licen­ça do cargo, depois de ter sido condenado pelo Supremo Tribu­nal Federal. Ele esteve presente no encontro nacional do PT, na sexta-feira, em São Paulo.

O partido aliado deve formali­zar neste mês o apoio à reelei­ção de Dilma. Atualmente com uma bancada de 17 deputados federais, o PTB contará com um tempo estimado no horário elei­toral gratuito de 38 segundos em cada bloco de 25 minutos.

Na estratégia do governo, a in­vestida para garantir o apoio do PTB começou com o apoio à indicação do senador Gim Argello (DF) para o Tribunal de Contas da União. O plano, porém, acabou frustrado diante da reação da oposição e de técnicos do TCU pelo fato de o senador responder a processos judiciais por crimes contra a administração pública.

Ao atender à demanda do PTB, o Palácio do Planalto pretende também fazer um gesto aos partidos médios da base e neutralizar as ameaças de rebe­lião em siglas como PR e PROS.

Fora da Esplanada, o PTB conseguiu um cargo na Caixa que tradicionalmente era ocu­pado pelo PMDB. O último que despachou como vice-presidente corporativo ou de pessoa jurídica, como era chamado o pos­to, foi Geddel Vieira Lima, que chegou a pedir pelo microblog Twitter que Dilma o exoneras­se do cargo para poder disputar a eleição ao governo da Bahia. No Estado o PMDB apoia a pré- candidatura do senador Aécio Neves (PSDB) à Presidência.

Com a nomeação, o PTB con­seguiu ocupar cargos na cúpu­la dos dois principais bancos estatais do governo federal. No Banco do Brasil, Benito Gama indicou para substituí-lo Valmir Campeio, ministro que se aposentou do Tribunal de Con­tas da União (TCU) antes mes­mo de contemplar 70 anos.

Rondon, o indicado pelo parti­do para a vice-presidência da Cai­xa, foi o homem da legenda na Eletronuclear e secretário adjun­to de Previdência Complemen­tar no Ministério da Previdência.

“Perda de espaço”. O deputa­do Lúcio Vieira Lima (PMDB- BA), irmão de Geddel, disse que a presidência nacional do partido vai se pronunciar sobre a troca, que deve levar insatisfa­ção às bancadas. “Para o PMDB nacional é uma demonstração de perda de espaço. Não conse­guiu ampliar a participação nos ministérios e ainda abre mão de espaços como esse que já estavam certos”, afirmou.

Para a vaga de Geddel, o PMDB tinha indicado Roberto Derziê, funcionário de carreira há mais de 20 anos no Banco. A escolha tinha o aval de Jorge Hereda, presidente da institui­ção, que queria ver um nome técnico na vaga depois que Geddel pediu demissão.

Outros vices. O PT emplacou na vice-presidência de Gover­no da Caixa José Carlos Medaglia Filho. Ele substitui Gilberto Magalhães Occhi, que saiu do Banco estatal para assumir o Ministério das Cidades. Oc­chi é ligado ao PP.

O ministro conseguiu levar para a pasta Raphael Rezende Neto. Ele pediu exoneração do cargo de vice-presidente de Controle e Risco na Caixa para ser diretor de Mobilidade Ur­bana. No lugar dele, ficará inte­rinamente a funcionária de car­reira Alexsandra Braga.

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