EUA declaram cotas ilegais

CORREIO BRAZILIENSE – DF | OPINIÃO

ARI CUNHA – VISTO, LIDO E OUVIDO – ARI CUNHA
Formato A4
Chamada de capa

Desde 1960 Visto, lido e ouvido aricunha com Circe Cunha // circecunha.df

Vistos sob a ótica da história oficial, EUA e Brasil foram submetidos simultaneamente, no século 16, a regimes de colonização europeia que tinham como características básicas a máxima exploração dos recursos naturais da colônia em proveito apenas da metrópole. Era a ordem natural dos fatos da época: a colônia se justifica como economia complementar à metrópole. Lá e cá, a utilização da mão de obra escrava para a geração de riquezas para a Europa foi largamente adotada para viabilizar o empreendimento colonial. A partir da revolução industrial, com o advento da máquina a vapor, os dois países foram tomando direções opostas, ajudados também pelos ventos do liberalismo. Enquanto os EUA passavam a adotar a mão de obra assalariada, a pequena propriedade e a policultura, o Brasil seguia com a escravidão, o latifúndio e a monocultura. A comparação atual entre as duas economias mostra bem o resultado das escolhas históricas. A opção diversa não impediu, contudo, que o Brasil buscasse sempre o país do norte como modelo a ser seguido e copiado. Nos anos 1960, a luta pelos direitos civis nos EUA levou ao fim da segregação e à adoção de ações afirmativas para o ingresso em escolas e universidades. Quatro décadas depois, foi a vez do Brasil, sob o governo popular, de copiar a ideia, acrescentando um fator ideológico baseado no conceito racialista. Criaram-se cotas para as universidades, para concursos e até para o Legislativo. Como o pobre não pode ser classificado, ainda, como raça, o “loirinho de olhos azuis”, nascido nas favelas ficou de fora do banquete. Agora, com a recente declaração da Suprema Corte americana abolindo o sistema de cotas e reconhecendo o erro de tratar as pessoas de modo diferente baseado na cor da pele, um dos modelos concretos de cotas copiados pelo Brasil desmorona como um castelo de cartas, deixando a interrogação no ar. E agora, Rousseff?

A frase que foi pronunciada

“A imposição de um modelo de estado racializado, por óbvio, traz consequências perversas para a formação da identidade de uma nação. […] Não existe racismo bom. Não existe racismo politicamente correto. Todo racismo é perverso e precisa ser evitado.”

Roberta Kauffman, advogada do DEM, autora da ação que questionava as cotas

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