Infraero sai do azul e tem prejuízo recorde em 2013

Vão ter que fechar boquinhas aqui também. Compas podem começar a procurar outras tetas! Mas por favor não venham para a CEF ou BB! Os bancários de verdade agradecem.

VALOR ECONÔMICO -SP | EMPRESAS
Daniel Rittner | De Brasília
O balanço da INFRAERO tomou um banho de vermelho em 2013, primeiro ano completo após as privatizações de três grandes Aeroportos de sua antiga rede, registrando o pior resultado financeiro de sua história. A estatal teve prejuízo de R$ 1,224 bilhão no ano passado, antes dos investimentos, que normalmente são excluídos do balanço porque os ativos aeroportuários pertencem à União. Quando se somam os investimentos, o vermelho fica mais forte e sobe para R$ 2,654 bilhões.

Esse quadro ilustra o tamanho do desafio da INFRAERO para se adequar à nova realidade do setor, que teve o monopólio quebrado em 2012, com as Concessões de três Aeroportos superavitários: Guarulhos, Viracopos e Brasília. Juntos, eles correspondiam à movimentação de 30% dos passageiros, 57% da carga e 19% das aeronaves do sistema.

O processo de transferência desses Aeroportos à iniciativa privada, após uma fase de transição, foi concluído no último trimestre de 2012. Naquele ano, a estatal teve lucro de R$ 396,7 milhões (antes dos investimentos) e de R$ 114,6 milhões (depois). Ambos os resultados eram positivos, sem exceção, desde 2008.

Para o diretor de administração da INFRAERO, Mauro Pacheco, a empresa vive um período de transição e os resultados do ano passado são incomparáveis com exercícios anteriores. Além da perda dos três Aeroportos, houve uma somatória de eventos com reflexos negativos no balanço, segundo o executivo.

A combinação mencionada por Pacheco inclui uma despesa de R$ 191 milhões com o programa de demissões voluntárias, que já teve a adesão de aproximadamente 800 empregados, e a perda de receitas do adicional do Ataero, uma taxa aeroportuária que engordava o caixa da estatal e agora vai parar diretamente no Fundo Nacional de Aviação Civil.

Pacheco explica ainda que, por orientação de auditores independentes, a INFRAERO se adequou antecipadamente às exigências do padrão internacional de relatórios financeiros conhecido pela sigla IFRS. Com isso, foi preciso baixar em R$ 398 milhões o valor recuperável de investimentos feitos em Aeroportos que permanecem na rede da estatal, além de aumentar em R$ 383 milhões as provisões para clientes duvidosos . Essas pressões no balanço, conforme pondera o diretor, não devem se repetir em 2014 ou ter seus efeitos bastante atenuados.

É uma condição transitória de desajustes , afirma Pacheco, sem negar o peso da retirada de grandes Aeroportos superavitários da lista de terminais administrados pela INFRAERO. Os contratos de concessão de mais dois Aeroportos – Galeão (RJ) e Confins (MG) – devem ser assinados na semana que vem. A transição operacional será concluída em agosto.

Há um lado negativo e um lado positivo. O negativo é que perdemos três Aeroportos importante, vamos perder mais dois e temos o desafio de nos equilibrarmos financeiramente nos próximos anos , observa o diretor administrativo. O positivo é que estamos nos reestruturando e procurando ser mais eficientes na geração de receitas, bem como na redução de despesas. E temos 49% de participação em concessionárias que buscam o lucro e já podem render dividendos aos acionistas a partir de 2017 ou 2018.

O novo quadro financeiro revela uma empresa mais dependente do Tesouro Nacional para manter seus investimentos nos Aeroportos, que também atingiram valor recorde no ano passado, e com um longo caminho a percorrer até sua desejada abertura de capital. A meta do presidente da estatal, Gustavo do Vale, é prepará-la para uma oferta inicial de ações em torno de 2016.

Para isso, a empresa de consultoria Falconi fez um trabalho detalhado, com sugestões para o enxugamento de custos e a exploração de mais receitas. As dificuldades, no entanto, são óbvias.

Por exemplo: o programa de demissões voluntárias tornou-se ainda mais necessário, porque apenas 27% dos empregados da INFRAERO nos três Aeroportos privatizados em 2012 decidiram migrar para as novas concessionárias, apesar dos incentivos negociados com os sindicatos antes dos leilões. Agora, em 2014, o número de funcionários que mudarão para as operadoras privadas do Galeão (Odebrecht TransPort) e de Confins (CCR) é incógnita.

Não menos desafiador é o fato de que a INFRAERO ficou basicamente, tirando algumas exceções, com o osso do sistema aeroportuário. Basta ver a diferença dos resultados operacionais: essa conta saiu de um azul de R$ 994,8 milhões em 2012 para um saldo de R$ 80,8 milhões em 2013. Com a perda de mais dois Aeroportos superavitários, há boas chances de que esse indicador também entre no vermelho neste ano, apesar do esforço no sentido contrário.

Anúncios

Sobre Blog dos Bancários

Bancário
Esse post foi publicado em Noticias. Bookmark o link permanente.