Corrida presidencial mexe com a Bovespa e papéis de estatais sobem

VALOR ECONÔMICO -SP | FINANÇAS
Téo Takar e Aline Cury Zampieri De São Paulo

Faltando ainda sete meses para as eleições, a corrida presidencial chegou de vez à Bovespa. Boatos de que a presidente Dilma Rousseff teria perdido terreno para seus opositores nas pesquisas eleitorais ganharam força no mercado ontem e fizeram as ações de estatais dispararem. A decisão do Banco Central americano (Federal Reserve, o Fed) de reduzir os estímulos da economia nos Estados Unidos não chegou a ser ignorada, mas terminou em segundo plano.

O boato ganhou força porque deve ser divulgada hoje, pelo Ibope, uma pesquisa encomendada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” e pela “G l o b o”. Até o fechamento do mercado, nenhum dado oficial sobre o levantamento foi publicado.

A possibilidade de derrota de Dilma na campanha pela reeleição tem sido vista pelo mercado como uma saída para tentar reverter o quadro negativo da bolsa.

Operadores lembram que a postura intervencionista do governo em diversos setores – especial – mente no elétrico e no Bancário, e também em Petrobras – deixou investidores e empresários descontentes.

Daí a razão para a forte alta das estatais. “É uma torcida contra a Dilma”, afirmou o estrategista da S LW, Pedro Galdi.

O analista da Empiricus Research, Roberto Altenhofen, acredita que a alta das ações da Petrobras, por exemplo, está relacionada à perda de popularidade de Dilma. Altenhofen destacou a política de preços dos combustíveis, que prejudica a empresa, mas tem efeitos favoráveis para o controle da inflação.

O Ibovespa ignorou as perdas das bolsas em Wall Street e subiu 0,90%, aos 46.567 pontos, depois de marcar máxima nos 46.803 pontos (1,41%).

Lá fora, o foco recaiu sobre a decisão do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano), que confirmou a retirada de mais US$ 10 bilhões de estímulos, reduzindo o programa de recompra de títulos para US$ 55 bilhões mensais.

Em entrevista após a divulgação do comunicado, a presidente do Fed, Janet Yellen, disse que os juros continuarão baixos por um “período considerável” devi – do à inflação, que está muito abaixo da meta de 2% ao ano. Ela sugeriu um intervalo de seis meses entre o fim da retirada dos estímulos e o início da elevação dos juros no país.

Tal projeção azedou o humor dos mercados americanos, já que os economistas contavam com alta de juros nos EUA apenas no segundo semestre de 2015. Aqui, a movimentação externa reduziu o ímpeto da Bovespa, mas não impediu a bolsa de fechar no azul.

A lista de maiores altas trouxe uma coleção de estatais: Eletrobras ON (6,14%), Banco do Brasil ON (4,59%), Petrobras ON (3,47%), Petrobras PN (2,85%) e Eletrobras PNB (2,65%). As outras ações de peso no Ibovespa tiveram um pregão mais comportado: Va l e PNA subiu 0,07%, a R$ 26,57, e ItaúPN ganhou 0,45%, a R$ 30,60. (Colaboraram Marta Nogueira e Rodrigo Polito)

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