Lupi deixa o conselho do BNDES

VALOR ECONÔMICO -SP | POLÍTICA

Por Edna Simão | De Brasília

Lupi: ex-ministro entrega cargo dois anos depois de ter sido exonerado do Ministério do Trabalho, em meio a denúncias de irregularidades em convênios com ONGs

Depois de dois anos no conselho de administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sem ter um cargo no governo, o ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi deixou a cadeira livre. Ainda não há definição sobre quem vai ocupar a vaga. O Ministério do Trabalho, liderado por Manoel Dias, não vai fazer indicações. Vai deixar a decisão nas mãos da presidente Dilma Rousseff.

Lupi assumiu o cargo de ministro do Trabalho em 2007, ainda na administração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Porém, foi exonerado em dezembro de 2011, em meio a acusações sobre irregularidades envolvendo organizações não governamentais que tinham relação com o ministério. A gota d”água para sua queda foi a denúncia de que ele teria acumulado ilegalmente cargos públicos. Na época, a presidente Dilma Rousseff estava fazendo uma “faxina” e vários ministros foram demitidos por suspeitas de irregularidades.

No fim de 2011, a expectativa era de que Lupi deixasse também o conselho de administração do BNDES assim que fosse exonerado. Porém, ele se manteve, mesmo sem ocupar um cargo público. No decorrer de 2012, Brizola Neto, ministro do Trabalho à época, tentou, sem sucesso, conseguir a vaga. Já o atual ministro, Manoel Dias, que é aliado de Lupi, preferiu não mexer nesse assunto. Tanto é que, mesmo com a saída de Lupi, vai deixar que a indicação do novo conselheiro do BNDES seja feita pelo Palácio do Planalto. No fim de fevereiro, a Comissão de Ética da Presidência da República abriu investigação para apurar denúncia de suposta participação de Dias em irregularidades no processo de criação de sindicatos.

Lupi disse ao Valor que entregou o cargo no BNDES porque pretende concorrer nas eleições deste ano. Mas não informou o que pretende pleitear. A comunicação de sua saída do conselho foi feita em reunião, realizada na última semana de fevereiro. Ele alegou motivos pessoais. Como pretende disputar as eleições, segundo Lupi, não poderia continuar no conselho de administração. As reuniões dos conselhos são trimestrais e os representantes recebem cerca de R$ 6,5 mil mensais.

Atualmente, o ministro interino do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges, é o presidente do conselho de administração do Banco estatal. O BNDES é subordinado à pasta. Também compõe grupo o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, como vice-presidente, além do representante dos ministérios da Fazenda, Planejamento, Relações Exteriores. Quatro vagas estão em aberto, sendo três do Ministério do Desenvolvimento e uma do Ministério do Trabalho.

Entre as atribuições do conselho, estão opinar sobre questões consideradas relevantes para o desenvolvimento econômico e social do país, aprovar as políticas gerais e programas de atuação de longo prazo, o orçamento global do Banco e acompanhar sua execução, assim como examinar relatórios anuais de auditoria e informações sobre os resultados da ação do BNDES. Também é responsabilidade do conselho a aprovação dos balanços patrimoniais e as demonstrações financeiras da instituição. No dia 28, o BNDES divulgou que registrou um lucro líquido de R$ 8,5 bilhões no exercício de 2013, valor muito próximo dos R$ 8,126 bilhões apurados em 2012.

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